Afinal, o que é um"COE"?
Já ouviu falar do tal do "COE"? Se sim, investiu ou pulou fora?
O COE é um tipo de investimento no qual geralmente quem te recomenda/vende provavelmente lucra antes (e mais) que você.
Se te doeu ler isso, significa que muito provavelmente você já foi enganado. Eu realmente sinto muito por você.
O COE, segundo definição da própria B3, é:
“Um instrumento inovador e flexível, que mescla elementos de Renda Fixa e Renda Variável. Traz ainda o diferencial de ser estruturado com base em cenários de ganhos e perdas selecionados de acordo com o perfil de cada investidor.”
Não entendeu nada!? Nem eu!
Então, vamos segmentar a lógica desse tipo de investimento tentando responder três perguntas simples, buscando juntos um entendimento prático:
1. QUEM USA SEU DINHEIRO DURANTE A VIGÊNCIA DA APLICAÇÃO?
COEs são instrumentos de captação bancária, ou seja, uma alternativa para os bancos captarem recursos (pequena semelhança ao funcionamento dos CDBs).
Apesar de relativamente novos no Brasil (foram criados em 2010 pela Lei 12.249/10), são primos das “notas estruturadas”, bastante populares nos EUA e Europa.
Ponto de atenção:
Até 2015, os COEs eram restritos a clientes de alta renda dos grandes bancos. Foi só a partir dali que começaram a ser distribuídos em massa por corretoras.
2. QUAIS AS PARTICULARIDADES DOS COEs COMO INSTRUMENTOS DE INVESTIMENTO?
Apesar de alguns os apresentarem como similares a fundos de investimento, os COEs têm características bem diferentes.
A principal é que eles são estruturados com múltiplos cenários possíveis de ganho e perda, definidos previamente.
Em geral, os ganhos são limitados.
Ou seja, você não levará todo o retorno do indexador associado (índice, moeda etc). A outra parte fica com a instituição que estruturou o COE.
Os COEs podem ser divididos em 02 grandes grupos:
Valor Nominal Protegido: garante que o investidor receberá, no mínimo, o valor investido (não corrigido), mesmo se os ativos dentro do COE tiverem rentabilidade negativa.
Valor Nominal em Risco: não garante absolutamente nada. Você pode perder até o valor total investido.
3. QUAIS OS RISCOS?
O principal é você virar chacota na roda de amigos por ter sido enganado por seu assessor.
Os principais riscos são:
Risco de crédito do emissor: diferente dos CDBs, os COEs não têm proteção do FGC;
Liquidez: não possuem liquidez e o prazo para resgate geralmente supera 2 ou 3 anos;
Custo de oportunidade: devido à limitação de ganhos e estrutura complexa, é comum a rentabilidade ser baixa ou nula, às vezes abaixo da inflação do período.
Apesar da ausência de liquidez, muitas corretoras oferecem “resgates antecipados” com deságio alto.
Já vi casos de investidores recebendo 50% ou menos do valor investido.
Outro risco indireto, mas inerente a este tipo de investimento, é que a comissão para quem desova vende o COE costuma ser bem elevada. Logo, o conflito de interesse é evidente e praticamente inevitável.
Se seu assessor te empurrou um trem desse, sem te explicar tudo isso com clareza, repense se vale a pena seguir com ele.
Por hoje é só, abraço e até a próxima!
Fique à vontade para sugerir temas, empresas ou tópicos específicos. Será um prazer aprendermos juntos.


