Ainda há margem de segurança em VALE3?
Cenário atual e estimativa de valor intrínseco
O que você verá na edição de hoje:
Comentários sobre a Vale e seu modelo de negócio;
Estudo de valor intrínseco para VALE3;
Matriz de sensibilidade ao dólar e ao minério para VALE3;
Minha opinião sobre o investimento em VALE3.
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A Vale (VALE3) dispensa apresentações.
É uma das maiores mineradoras do mundo, uma das companhias mais relevantes da bolsa brasileira e um negócio secular, construído sobre ativos minerais de escala, logística integrada e posição relevante no mercado global de minério de ferro.
O negócio da Vale pode ser dividido em dois grandes blocos.
O primeiro, e mais relevante, é o segmento de Soluções de Minério de Ferro, que inclui minério de ferro, pelotas e produtos relacionados. É aqui que está a maior parte da geração de receita e caixa da companhia.
O segundo bloco é o de Metais para Transição Energética, principalmente cobre e níquel. Esse segmento ganhou importância estratégica nos últimos anos, justamente pela demanda estrutural ligada à eletrificação, redes, baterias, veículos elétricos e transição energética.
Ainda assim, para fins de valuation, a Vale continua sendo majoritariamente uma tese de minério de ferro.
Em 2025, a companhia reportou produção de minério de ferro de 336 milhões de toneladas, o maior nível desde 2018.
A própria companhia também destacou crescimento em metais básicos, especialmente cobre e níquel, mas a base econômica do negócio segue concentrada no minério.
Cenário atual
O cenário atual da Vale combina três pontos principais.
O primeiro é a melhora operacional. A companhia vem entregando volumes mais fortes em minério de ferro e buscando maior estabilidade depois de anos marcados por restrições operacionais, ajustes de portfólio e normalização de capacidade.
O segundo ponto é a dependência do ciclo chinês. A Vale é um ativo extremamente sensível à demanda chinesa por aço, à atividade imobiliária e de infraestrutura e ao preço internacional do minério de ferro. Essa dependência não é nova, mas ficou mais evidente nos últimos anos. O crescimento chinês já não tem a mesma composição de décadas anteriores, e isso exige que a companhia busque novas avenidas de crescimento e diversificação.
O terceiro ponto é justamente essa tentativa de reinvenção. Um dos pilares estratégicos tem sido o avanço em metais ligados à transição energética, principalmente cobre e níquel. No 1T26, as vendas de cobre e níquel cresceram 11% e 15% contra o ano anterior, respectivamente, enquanto os preços realizados também avançaram de forma relevante.
Apesar disso, para buscar uma avaliação mais simples e conservadora, optei por não modelar separadamente o valor justo do segmento de metais de transição energética.
O motivo é que, apesar do potencial, esse segmento ainda é menos representativo na receita e na geração de caixa consolidada da Vale quando comparado ao minério de ferro. Além disso, envolve maior incerteza sobre preços, investimentos, ramp-up operacional e rentabilidade futura.
Portanto, a avaliação será feita com foco no core business da companhia: minério de ferro.
Estudo de Valor Intrínseco
Para estimar o valor intrínseco da Vale, optei por uma abordagem simples, direta e ancorada no histórico operacional da companhia.
O link para acessar e baixar a planilha utilizada neste valuation está disponível ao final do texto.
A ideia não foi construir um modelo excessivamente detalhado, com múltiplos segmentos, premissas de crescimento de longo prazo e projeções muito abertas.
No caso da Vale, pequenas variações no preço do minério de ferro, no câmbio ou no custo por tonelada já alteram bastante o valor justo estimado.
Por isso, preferi trabalhar com um modelo normalizado, em dólar, partindo das principais variáveis que realmente movem o resultado da companhia:
preço realizado do minério de ferro fino;
preço realizado das pelotas;
volume vendido;
custos e despesas por tonelada;
resultado financeiro;
impostos;
fluxo de caixa livre ao acionista.
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