No longo prazo, é difícil uma ação render muito mais do que o negócio por trás dela rende.
Foi Charlie Munger quem nos ensinou isso, mas às vezes nos esquecemos. Ele ainda complementa dizendo:
Se um negócio rende 18% sobre o capital por 20 ou 30 anos, mesmo que você pague um preço que pareça caro, vai acabar com um resultado extraordinário.
A lógica por trás desse racional é bastante simples:
Se a empresa consegue alcançar um retorno (ou rentabilidade) sobre o capital investido (ROIC) alto e consistente, é esperado que, no longo prazo, seus acionistas desfrutem do mesmo retorno nos investimentos nas ações dessa empresa.
Essa é uma visão que sempre reforço por aqui: o ROIC é um dos principais indicadores (senão o principal) na hora de fazer uma boa seleção individual de ações.
Portanto, nesta edição, buscarei compartilhar dicas e insights valiosos para que você consiga usar essa métrica como um direcionador na hora de escolher suas próprias ações.
O que você verá nesta edição
O que o ROIC reflete: visão numérica e visão do negócio
Entenda a relação entre o ROIC e o valor de mercado das empresas
3 exemplos de ROIC x Valor de Mercado
Saiba como encontrar as melhores ações usando o ROIC
Conclusão
Sem tempo para a leitura?
A rotina pesa para todo mundo, e muitas vezes um tema que parece interessante acaba ficando para depois, depois, depois… e nunca é lido.
Por isso, caso queira se aprofundar nesse tema, deixo o convite para participar do Treinamento de Value Investing Aplicado da Apolo (8 horas de aula).
O primeiro encontro ao vivo ocorreu no dia 22/08 e foi bastante elogiado. Veja abaixo alguns feedbacks enviados por alunos presentes:
“Nunca consegui fazer uma análise fundamentalista e sempre achei muito complicada, mas vocês conseguiram sintetizar bem isso de alguma forma”.
“Da minha parte, a assinatura saiu de graça, depois dessa aula aqui, já está pago!”
Portanto, caso tenha interesse, você ainda consegue acessá-lo assinando qualquer plano da Apolo até o dia 28/08/26. Use o cupom LABINVEST para obter até 50% de desconto.
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O que o ROIC reflete: visão numérica e visão do negócio
Numericamente falando, o ROIC é calculado via:
ROIC = NOPAT / Capital Investido
Onde:
NOPAT = Lucro Operacional Líquido de Impostos
Capital Investido = Ativo Não Circulante + Necessidade de Capital de Giro
Portanto, ele mede o retorno da operação (NOPAT) em relação ao capital total empenhado diretamente na operação da companhia (ANC + NCG).
O ANC reflete a base de ativos explorada: fábricas, máquinas e afins.
A NCG reflete o capital necessário para girar a operação diariamente, refletindo a diferença numérica entre as contas do ativo operacional (principalmente estoques e contas a receber) e o passivo operacional (fornecedores a pagar, salários e encargos, entre outros).
Como o capital empenhado para a aquisição e constituição dos ativos explorados na operação vem tanto do acionista quanto de credores (financiamentos, por exemplo), o ROIC reflete o retorno consolidado do negócio.
E por que Munger associa o ROIC a um indicativo de qualidade do negócio?
Basicamente porque entregar e manter um ROIC elevado reflete a capacidade real do negócio de sustentar suas vantagens competitivas.
E o que é necessário para o ROIC crescer?
Olhando para a formulação matemática, para o ROIC crescer, precisamos necessariamente ver o NOPAT (numerador) crescer a uma taxa maior (mais rápido) do que o capital investido (denominador).
Portanto, um ROIC crescente representa nada mais, nada menos, que uma companhia melhorando a exploração dos seus ativos e gerando mais resultado operacional sobre eles.
Entretanto, não é nada óbvio encontrar essas empresas com ROIC elevado e consistente, ou seja, aquelas com vantagens competitivas duráveis refletidas na rentabilidade sobre o capital, e capazes de sustentar esse nível por longos anos.
Entenda a relação entre o ROIC e o valor de mercado das empresas
Você encontrará estudos de mercado que demonstram uma relação entre a evolução do ROIC das empresas e seus respectivos valores de mercado.
Inclusive, aqui no Laboratório já fiz um backtest para verificar se o investimento em ações de alto ROIC realmente reflete em um retorno superior ao mercado no longo prazo (clique aqui para acessar. Salve o link para ler depois que terminar esta edição).
Mas você deve estar se perguntando: “por que essa relação existe?”
A explicação parece complexa, mas vou mostrar que é tão simples quanto deveria ser, passo a passo:
O ROIC é diretamente proporcional ao NOPAT: ou seja, quanto maior o NOPAT (resultado operacional líquido de impostos), maior o ROIC, assumindo que o capital investido fique estável ou cresça menos que ele;
Como um ROIC alto geralmente reflete um NOPAT crescendo*, podemos dizer que também estará crescendo o potencial de geração de caixa livre;
*Às vezes o NOPAT pode até ser menor ou estável, mas, frente a uma base de capital investido decrescendo (quando uma empresa faz desinvestimentos de ativos ruins, por exemplo) o ROIC também melhoraria.
Isso porque, quando calculamos o fluxo de caixa da empresa, o fazemos via FCL (FCFF) = NOPAT + D&A − CAPEX − ΔNCG. Ou seja, quanto maior o NOPAT, maior o potencial de FCL gerado.
Como o valuation de uma empresa por Fluxo de Caixa Descontado consiste basicamente em trazer o FCL futuro a valor presente, descontado por uma taxa adequada (WACC), quanto maior o NOPAT, maior o potencial de FCL gerado e maior o valor presente dos fluxos de caixa futuros.
Tudo isso resulta em uma maior expectativa de valor refletida sobre o preço pago pelo mercado.
Logicamente, sabemos que sobre o preço das ações agem outras forças totalmente fora do nosso controle. Entretanto, no longo prazo, espera-se que o preço dos bons negócios caminhe para convergir para algo próximo do seu valor intrínseco.
Seguindo e fechando o raciocínio de forma simplificada:
Quanto maior o NOPAT, maior o ROIC;
Quanto maior o ROIC, maior o potencial de geração de caixa livre (FCL);
Quanto maior o FCL, maior o valor presente da empresa;
Quanto maior o valor presente da empresa, maior a expectativa de valor refletida sobre o preço das ações.
Com esse raciocínio simplificado em mente, tenho certeza de que você conseguirá observar essa relação entre ROIC e valor de mercado na prática, com os exemplos a seguir.
3 exemplos de ROIC x Valor de Mercado
Quero trazer agora alguns exemplos que demonstram o racional explicado acima.
Todos os casos a seguir foram extraídos da Apolo. Caso deseje usar a plataforma, lembre-se de usar o cupom LABINVEST para garantir até 50% de desconto.
Primeiro caso: Weg (WEGE3)
A Weg é um dos casos de maior sucesso da nossa bolsa, mas antes disso, é um case genuíno de melhora no seu ROIC ao longo dos anos.
Saiu de um patamar inferior a 10% para sustentar um ROIC acima de 20% nos últimos anos.
Não à toa, a empresa viu seu valor de mercado suas ações acumularem uma alta de ~1500% no mesmo período:
Segundo caso: Braskem (BRKM5)
Apesar da situação atual complicada, a Braskem já teve seus momentos de glória, surfando bons ciclos dos petroquímicos que comercializa, com uma estrutura de capital menos comprometida do que a atual.
Vimos a curva de ROIC, e também a de valor de mercado, atingir o pico em 2021 e amargar uma queda dolorosa desde então.
Tanto na alta quanto na baixa: sempre juntas.
Terceiro caso: Vivara (VIVA3)
Recentemente, a gestora Guepardo abriu uma posição relevante em Vivara, comprando mais de 5% das ações da companhia.
A gestora é reconhecida por explorar teses de alta qualidade (consequentemente, alto ROIC) e com assimetrias relevantes entre preço e valor (margem de segurança).
Quando avaliamos as curvas de ROIC x Valor de Mercado da Vivara, é notável enxergar que, em diversas ocasiões nos últimos anos, elas “se descolaram”, com ROIC estável ou para cima e valor de mercado para baixo, abrindo supostas portunidades para o investimento nas ações VIVA3.
Coincidentemente, estamos vendo essa abertura entre as curvas acontecer agora, coincidindo com o movimento comprador da gestora mencionada:
Seria VIVA3 uma oportunidade?
Recentemente falei sobre a empresa por aqui. Acesse para conhecer minha visão sobre a tese:
Saiba como encontrar as melhores ações usando o ROIC
Como tudo o que compartilho por aqui, nada é recomendação de investimento. A ideia é ajudar os leitores a desenvolverem seus próprios processos e aguçar o interesse pelo value investing e pelo estudo fundamentalista com rigor nas finanças corporativas.
Nessa linha, uma forma interessante de filtrar empresas e ações para estudo é avaliar justamente o patamar e a consistência de seus ROICs.
Em outras palavras:
Encontre as empresas com histórico de ROIC mais elevado e mais consistente, e estude-as.
Certamente elas são vencedoras em seus segmentos de atuação, sustentam vantagens competitivas relevantes e conseguem gerar valor para seus acionistas de forma sustentável.
Como dica prática, sugiro o uso da ferramenta de Mapeamento de Melhores ROICs disponível na plataforma da Apolo. Ela avalia justamente isso: ROICs historicamente mais altos com o menor desvio-padrão.
Alguns nomes da lista atual são: Vivara (VIVA3), Tegma (TGMA3), Cruzeiro do Sul Educacional (CSED3), Engie (EGIE3) e Vulcabras (VULC3).
Conclusão
Como sempre, não leve nada aqui como recomendação (acesse aqui o disclaimer completo). A intenção é apenas mostrar como o ROIC é essencial para uma boa escolha fundamentalista de ações para o longo prazo.
Por fim, deixo um lembrete que julgo necessário: questione sempre o conteúdo que você consome diariamente. O mercado tem crescido, e cada vez mais tenho visto muita gente falando besteira por aí. Seja um investidor que respeita seu dinheiro, não caia em contos do vigário. Questione-se sempre!
E se achar válido, compartilhe esta edição para desenvolvermos uma comunidade cada vez maior de investidores que realmente valorizam o bom e velho value investing, sempre com rigor nas finanças corporativas. Ficarei grato!
Por hoje é só. Forte abraço e até a próxima.






