Calculando o risco da sua empresa mesmo que ela não seja listada
O ponto de partida: seu custo de capital não pode ser chute
Uma verdade incômoda: se você não sabe calcular o risco, o seu custo de capital é apenas um chute.
E se o seu custo de capital é um chute, você não tem como saber se está gerando ou destruindo valor.
Empresas que não dominam esse conceito tomam decisões de investimento e financiamento sem clareza sobre o retorno exigido pelos acionistas.
Isso compromete desde a precificação de novos projetos até a avaliação do valor da própria companhia.
O CAPM e o papel do risco do ativo
Dentro da metodologia do CAPM (Capital Asset Pricing Model), o custo de capital próprio é definido de forma simplificada assim:
Custo de Capital Próprio = Taxa Livre de Risco + Risco do País + Risco do AtivoO “risco do ativo” é o componente que conecta a realidade da empresa ao retorno esperado pelo investidor.
Ele é calculado como o produto do Beta pelo prêmio de risco esperado pelo mercado.
É aqui que entramos no tema central: o Beta.
Beta: o que mede e como é calculado
O Beta é um indicador estatístico que mede a volatilidade relativa de um ativo em relação ao mercado.
Em resumo, ele mostra se o ativo tende a oscilar mais ou menos que a carteira de mercado e em qual direção.
Formalmente:
Beta = Covariância (Ra, Rm) / Variância (Rm)Onde:
Ra = retorno do ativo
Rm = retorno da carteira de mercado
Relembrando os conceitos estatísticos básicos:
Covariância: mede o grau em que duas variáveis se movem juntas. Pode ser positiva (andam na mesma direção), negativa (andam em direções opostas) ou próxima de zero (independência).
Variância: mede o quanto uma variável se afasta da média. Variância alta significa grande dispersão; variância baixa, maior concentração.
Na prática, o Beta pode ser interpretado assim:
Beta > 1: o ativo oscila mais que o mercado (maior risco).
Beta < 1: o ativo oscila menos que o mercado (menor risco).
Empresas listadas x empresas de capital fechado
Para empresas listadas, calcular o Beta é simples: basta obter o histórico de preços do ativo e do índice de mercado, aplicar as fórmulas em uma planilha ou base de dados e pronto.
Mas e para empresas de capital fechado?
Existem duas alternativas principais:
Beta médio do setor: adotar valores de referência de bases amplas, como as do professor Aswath Damodaran, que consolida Betas médios por setor globalmente.
Empresa comparável: usar o Beta de uma companhia listada que seja altamente similar em modelo de negócio, risco e setor. Essa opção costuma ser mais difícil de encontrar.
Em ambos os casos, não basta pegar o número pronto. É necessário ajustá-lo.
Desalavancagem e realavancagem do Beta
O processo de ajuste existe porque a estrutura de capital influencia diretamente o Beta observado no mercado.
Empresas mais endividadas tendem a ter Betas mais altos, já que a dívida amplifica o risco do capital próprio.
Aqui entram três definições fundamentais:
Beta Alavancado
É o Beta obtido diretamente do mercado para empresas listadas. Ele incorpora o efeito da estrutura de capital (endividamento versus capital próprio).
Beta Desalavancado
Remove o impacto da alavancagem financeira. É obtido ajustando o Beta alavancado de uma empresa ou do setor para eliminar o efeito da dívida. Esse é o “risco puro” do negócio.
Beta Realavancado
A partir do Beta desalavancado, aplica-se a estrutura de capital específica da sua empresa (mesmo que seja de capital fechado), chegando ao Beta ajustado à sua realidade.
Esse processo permite adaptar a referência do mercado para a realidade da sua companhia, refletindo a particularidade de sua estrutura de capital.
A Apolo detém uma ampla base de referência para cálculo automático do beta da sua empresa. Basta escolher o segmento de atuação e todo o resto é calculado, inclusive a geração de valor e valuation da sua empresa.
Por que isso importa
Sem um Beta calculado adequadamente, o custo de capital vira chute. E sem custo de capital, não há como medir geração de valor econômico nem fazer valuation de forma adequada.
Calcular o Beta de uma empresa de capital fechado não é impossível, mas requer método: escolher referências adequadas, desalavancar, realavancar e aplicar ao contexto da sua empresa.
E você, já sabe qual é o Beta da sua empresa ou ainda está apenas chutando?
Por hoje é só, abraço e até a próxima!
Fique à vontade para sugerir temas, empresas ou tópicos específicos. Será um prazer aprendermos juntos.



