Comentários dos resultados do 3T25 - Parte 1
Bancões em recuperação. Kepler e o efeito holofote.
Entramos de vez na temporada de resultados do 3º Trimestre de 2025.
Tanto aqui quanto lá fora, as empresas listadas já começaram a divulgar os números do período.
E o dia seguinte à divulgação é sempre uma surpresa:
Resultado bom e acima das expectativas → Alta na cotação
Resultado bom e dentro das expectativas → Nada acontece
Resultado bom, mas abaixo das expecativas → Queda na cotação
Resultado ruim, mas melhor que as expectativas → Alta na cotação
Resultado ruim e dentro das expectativas → Nada acontece
Resultado ruim e pior que as expecativas → Queda na cotação
Ou seja, a chance de você acertar o que vai acontecer é de 1 em 6, ou 17%.
Dito isso, não perca seu tempo tentando adivinhar nem montando posições com a “genial” intenção de aproveitar-se de um movimento de curto prazo.
Feita a introdução, vamos a alguns destaques dos resultados (sob minha ótica, não a do mercado).
Bancões em recuperação
O Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC3) confirmam a tendência de recuperação da rentabilidade no 3T25.
Santander:
Lucro de R$ 4,0 bi (+9,4% a/a)
ROE de 17,5%,
Avanço da margem financeira (+11%)
Eficiência elevada (37,5%)
Estabilidade na inadimplência.
Bradesco
Lucro de R$ 6,2 bi (+18,8% a/a)
ROE de 14,7%
Receitas totais +13%, com destaque para seguros e crédito PF/PME
Provisões ainda altas (+20% no custo de crédito), mas inadimplência estável (4,1%)
Seguradora segue voando, com ROE superior a 20%
O ciclo de melhora iniciado em 2024 parece se consolidar, pouco a pouco, com avanço gradual da rentabilidade e controle de inadimplência, sustentados por margens financeiras em alta e retomada do crédito.
Se você, assim como eu, encheu o carrinho de BBDC3 entre R$ 10 e R$ 11, sinta um abraço apertado e 2 tapinhas nas costas.
Se não leu ainda, na edição abaixo comentei sobre os movimentos recentes da diretoria do Bradesco em relação às ações da companhia:
Kepler & Resiliência
A Kepler Weber (KEPL3) atravessou mais um trimestre de desaceleração, após dois anos marcados por margens recordes e forte geração de caixa durante o ciclo de expansão do agronegócio.
No 3T25, a receita líquida recuou 3,6% para R$ 423 milhões, mas o impacto operacional foi bem maior: o ROIC (retorno sobre capital investido) caiu de 42% para 21% em 12 meses.
A explicação está na combinação de três fatores:
Demanda mais fraca nos segmentos de Fazendas e Agroindústria, com recuos de –3,2% e –30,6%, respectivamente;
Menor diluição de custos fixos, típica de períodos de queda de volume;
Ambiente macro restritivo, com crédito rural mais caro e investimento em armazenagem adiado por produtores e cooperativas.
Apesar da retração, a companhia mantém sólida posição financeira e caixa líquido, o que dá flexibilidade para atravessar o ciclo adverso. O payout acima de 100% nos 9M25 sinaliza que o fluxo de caixa segue robusto.
Efeito Holofote
Os resultados da Kepler não foram bons, mas as ações subiram +23% na semana.
Neste caso, acredito terem agido 02 fatores:
Superação das expectativas (o mercado esperava pior);
A divulgação jogou luz sobre a empresa, chamou a atenção.
Estou chamando o segundo item de efeito holofote, mas inventei isso agora.
Empresas sólidas, geradores de caixa, esquecidas pelo mercado ou que estejam apanhando nas cotações em virtude de fatores macro, quando ficam sob a luz do holofote, passam por essas correções.
O mesmo ocorreu com a Fleury quando começaram os boatos da possível aquisição pele Rede D’Or.
Comecei a acompanhar a Kepler em 2023. Custei a conseguir montar uma posição em um preço que houvesse margem de segurança suficiente. Hoje ocupa uma posição relevante na minha carteira, com um elevado Yield on Cost (dividendos pagos em relação ao preço médio da posição). É empresa para vida toda.
Conheça mais sobre a Kepler Weber:
E você? Está de olho nos resultados de quais empresas?
Por hoje é só, abraço e até a próxima!
Fique à vontade para sugerir temas, empresas ou tópicos específicos. Será um prazer aprendermos juntos.




