Como a WEG gera tanto valor para os acionistas? (Parte 1)
Destrinchando os componentes da geração de valor da Weg (WEGE3)
A WEG é, sem sombra de dúvidas, uma das empresas brasileiras mais fantásticas.
Não apenas pelo desempenho das suas ações no mercado, mas também por sua história e pelo nível de desenvolvimento tecnológico alcançado.
A companhia, que se tornou referência mundial no segmento em que atua, também se destaca na geração de valor para seus acionistas (não à toa os herdeiros dos fundadores são bilionários).
Mas o foco aqui será destrinchar os componentes do valor gerado aos acionistas ao longo dos últimos anos.
Desempenho das ações
A imagem abaixo mostra exatamente a relação entre as curvas de Valor de Mercado versus a Geração de Valor Econômico Agregado pela empresa.
Note que elas andam juntas, vez ou outra com algum delay.
Fonte: Apolo
Dito isso, não darei demasiada atenção ao desempenho das ações isoladamente, porque ele é apenas uma consequência de todo o resto.
Mas para fins de introdução, cabe incluir a imagem abaixo com o desempenho acumulado, ajustado por dividendos recebidos no período, para as ações ordinárias WEGE3.
Retorno acumulado de 2000 até agora: +54.200%
Alta rentabilidade sobre o capital
O primeiro “segredo” da geração de valor da Weg está na consistente entrega de uma alta rentabilidade sobre o capital investido (ROIC).
Lembrando que:
ROIC = Lucro Operacional após impostos / Capital Investido O ROIC representa a rentabilidade do negócio frente a todo capital empregado para sustentar a operação, seja ele de terceiros ou próprio.
Quando olhamos para o histórico da WEG, vemos que ela melhorou consideravelmente seu ROIC nos últimos 15 anos, com uma aceleração notável a partir de 2018.
Fonte: Apolo
Não é coincidência que o período de aceleração na curva de crescimento do ROIC se deu no momento em que a curva do NOPAT (Lucro Operacional após impostos) começou a crescer mais do que a curva do Capital Investido.
Na Engenharia, diríamos que a derivada da função NOPAT é maior que a derivada da Função Capital Investido.
Fonte: Apolo
O foco em crescer, ano a ano, o NOPAT, e não só o Capital Investido, fez com que a Weg se tornasse cada vez mais eficiente no uso dos seus ativos.
Veja abaixo como a variação anual do NOPAT é consistentemente maior (percentualmente falando) do que a do Capital Investido.
Fonte: Apolo
NOPAT crescendo → melhora operacional
Continuando a destrinchar: o que fez com que a variável NOPAT crescesse em uma taxa maior do que a do Capital Investido?
A resposta começa a partir da análise da margem operacional.
Notem como o nível de lucratividade operacional subiu de patamar.
Em empresas como a WEG, cujo faturamento anual atual gira em torno de R$ 40 bilhões, qualquer melhora na margem operacional, mesmo que marginal, causa um efeito considerável na rentabilidade.
Fonte: Apolo
Além disso, cabe mencionar aqui também um indicador idealizado pelo professor Marcelo Luz Alves, denominado Excelência Operacional.
Ele mede a relação percentual entre o NOPAT e a NCG. É, portanto, uma medida da performance operacional da empresa.
A interpretação é que, quanto maior, melhor.
Ou seja, ele premia as empresas que geram mais NOPAT com menos NCG.
E veja que, no caso da WEG, este indicador também explicita uma melhora operacional de 2018 para cá.
O que mais uma vez reflete o papel exemplar da gestão da companhia na busca pela potencialização da rentabilidade sobre o capital investido.
Fonte: Apolo
Para encerrar esta parte da análise, e para esta edição não ficar demasiadamente extensa, deixo registrado que continuarei a discussão em uma próxima edição, explorando os demais componentes da geração de valor da WEG e como eles se encaixam no ciclo completo de criação de riqueza para o acionista.








