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Como eu uso o ROIC para selecionar ações

Estudo prático sobre o ROIC vs retorno das ações

jan 07, 2026
∙ Pago

Você já aceitou o ROIC em seu coração?

Se não, talvez já esteja na hora.

Nesta edição, realizei um estudo prático avaliando o retorno de uma carteira que investiu nas 10 empresas com o melhor histórico de ROIC.

Confesso que o resultado me surpreendeu.

Reforço que este é um exercício metodológico, e não uma recomendação. Por isso, é fundamental que você consulte o Disclaimer completo disponível neste link.

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Base de dados

A primeira etapa foi obter uma base de dados para o estudo.

Assim, extraí da base da Apolo a série histórica de ROIC das empresas listadas, além da mediana histórica e do desvio padrão.

A Apolo trata a base oficial da CVM e faz alguns ajustes no cálculo do ROIC, como a eliminação de créditos fiscais (imposto > 0) no cálculo do NOPAT.

Não custa lembrar:

ROIC = NOPAT / Capital investido
NOPAT = Lucro operacional líquido de impostos
Capital investido = Dívida bruta + Patrimônio líquido

Obs.: o capital investido também pode ser calculado como Ativo não circulante + Necessidade de capital de giro, mas optei por usar a formulação mencionada acima, incluindo caixa.

Há quem defenda excluir o caixa da conta. Na Apolo, optamos por manter, por entender que caixa é dinheiro alocado (ainda que em aplicações) e, portanto, é uma decisão de alocação de capital que deve entrar no capital investido.


Filtros aplicados

Com a base em mãos, apliquei filtros básicos:

  • Removi instituições financeiras e seguradoras (não possuem ROIC comparável e demandam análise à parte);

  • Removi ativos com ROIC “montanha-russa”, que nem a mediana consegue “domar”;

  • Eliminei empresas com histórico inferior a 5 anos.

Assim, cheguei a uma lista com cerca de 160 empresas.


Rankeamento e seleção

A partir dessa lista, ranqueei os ativos em três etapas:

  1. Maior ROIC mediano histórico: quanto maior a mediana, melhor a posição.

  2. Menor desvio padrão: quanto menor o desvio, melhor a posição.

  3. Ranking final: soma da posição no ranking de ROIC com a posição no ranking do desvio padrão.

Por fim, apliquei um último filtro: selecionei, respeitando o ranking acima, as 10 empresas com ROIC mediano acima de 15%.

Cheguei à lista final abaixo:

  • CAMBUCI

  • TEGMA

  • CSU DIGITAL

  • TAESA

  • RAIADROGASIL

  • ENGIE BRASIL

  • AZZAS 2154

  • VIVARA

  • LOJAS RENNER

  • AMBEV

Gostando do conteúdo até aqui? Não hesite:


Resultado

Na sequência, calculei o retorno total acumulado dos últimos 10 anos do investimento no principal papel de cada empresa:

Retorno total = valorização das ações + dividendos

Depois, calculei o retorno anualizado de cada uma. Lembrete matemático:

Retorno anualizado = (1 + Retorno acumulado) ^ (1 / nº de anos) - 1

A tabela abaixo resume o estudo:

O destaque ficou para Cambuci (CAMB3) e Tegma (TGMA3), com retorno anualizado acima de 30% a.a.

Considerando uma carteira que começou com 10% em cada ativo (sem rebalanceamento), o retorno total foi de 462,9%, ou 14,4% a.a.

Ou seja, R$ 100 mil investidos teriam se tornado ~R$ 563 mil.

O ROIC médio da carteira ficou em 17,8% a.a., com um desvio padrão de 4,7%.

Porém, fiquei frustrado.

Eu esperava um retorno maior, dado que, no mesmo período, o Ibov entregou um retorno anualizado de ~15%.

Tudo bem que o Ibov não é a melhor referência, já que é muito influenciado por bancões, Petro e Vale, que ficaram fora da lista.

Mas a carteira ficou atrás também do IDIV, índice das melhores pagadoras de dividendos, que entregou ~20% a.a.

Pelo menos superou o SMLL, índice de small caps, que retornou ~12% a.a.

De todo modo, 14,4% ao ano ainda é um baita retorno.


O pulo do gato

O estudo olhando para o retrovisor é interessante, mas pode ser melhorado com filtros mais refinados e outros critérios de seleção e rankeamento (pretendo fazer).

Em mercados mais maduros, há evidência consistente de que, no longo prazo, o valor de mercado acompanha o ROIC entregue.

No Brasil, os estudos da Apolo também indicam essa relação, como mostram os gráficos das imagens abaixo:

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Sabendo que essa relação existe, como agir?

Este é um segredo que, se não ficou claro até aqui, faço questão de “revelar”.

E não, na minha opinião, o segredo não é investir nas empresas com o melhor ROIC histórico.

O segredo é:

Investir em empresas que estão entrando (ou já estão) em um processo claro de melhora do ROIC.

Mas como traduzir isso de forma simples?

Voltando à fórmula:

ROIC = NOPAT / Capital investido

Logo, existem apenas três formas de melhorar o ROIC:

  1. Aumentar o resultado operacional (NOPAT), mantendo o Capital Investido estável;

  2. Reduzir o capital investido, mantendo o NOPAT estável;

  3. Crescer o NOPAT em uma taxa maior do que a taxa de crescimento do capital investido.

Então, identificar empresas que se encaixem em situações como essas pode ser o caminho para capturar os melhores movimentos.

Alguns exemplos recentes:

  • Movida (MOVI3): ROIC saiu de ~8% para ~14% nos últimos trimestres. A ação subiu ~200% em 2025 e segue subindo.

  • C&A (CEAB3): ROIC saiu de ~6% em 2022 para ~18% nos últimos 12 meses. Da mínima em 2022 até a máxima de 2025, a ação subiu mais de ~900%.

  • Cogna (COGN3): ROIC foi de ~2% para ~10% nos últimos 12 meses. A ação subiu mais de ~200%.


BÔNUS: Quais são as ações com melhoria iminente no ROIC?

Sua carteira de ações está preparada para capturar essas viradas?

Algumas empresas que acompanho estão exatamente nesse ponto de inflexão no ROIC.

Na verdade, boa parte da minha carteira atual foi montada com essa lógica.

Abaixo, deixo alguns exemplos.

Todas estão na minha carteira ou na minha lista de espera, aguardando uma vaga para entrar:

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