Como o EVA explica o desempenho extraordinário das ações da WEG
Um ciclo virtuoso de geração de valor
Tem empresa que sobe porque entrou na moda.
Tem empresa que sobe porque o mercado resolveu pagar caro.
E tem empresa que sobe por muitos anos porque o negócio, de fato, entrega algo fora da curva.
Para mim, a WEG ($WEGE3) entra muito mais nesse terceiro grupo.
Ao longo do tempo, muita gente tentou resumir a história da companhia como “empresa de qualidade”, “máquina de execução”, “gestão excelente”, “o mercado sempre paga caro”.
Tudo isso pode até ter algum fundo de verdade.
Mas isso não ajuda a entender por que a ação andou tanto ao longo de tantos anos.
Na minha visão, o melhor jeito de interpretar a performance extraordinária da Weg é o que compartilho abaixo.
A trajetória ascendente do ROIC
Uma das primeiras coisas que me chamam atenção no caso da WEG é a trajetória do ROIC.
Não é só um ROIC bom. É uma curva que foi melhorando com o tempo.
Saiu de um patamar próximo a 10% até 2017 para uma faixa superior a 20% nos últimos anos, beirando os 30% atualmente, muito acima da média do mercado nacional (gráfico da esquerda na figura abaixo):
Isso já diz bastante coisa, porque mostra que o crescimento do NOPAT veio num ritmo maior do que o crescimento do capital investido (gráfico da direita na figura acima).
Ou seja, a companhia não foi simplesmente empilhando capital para crescer. Ela foi ficando cada vez melhor em extrair retorno sobre o capital investido.
Quando olho as margens, essa leitura também faz sentido.
A margem bruta ficou relativamente estável, próxima dos 30%, mas a margem operacional evoluiu bastante, de algo perto de 13% para próximo de 20%.
Isso é um bom sinal, porque sugere ganho de eficiência operacional, e não só efeito de escala ou algum ganho pontual.
Outro dado que ajuda bastante nessa leitura é a excelência operacional, aqui medida pela relação NOPAT/NCG.
Esse indicador saiu de 43% em 2017 para 114% atualmente.
Ou seja, a operação passou a entregar mais resultado para cada R$ 1 empregado em capital de giro.
Assim, o aumento expressivo no ROIC da companhia foi resultado de uma conjuntura sustentada por:
crescimento de receita
melhora nas margens operacionais, refletindo eficiência operacional
melhor extração de valor da base de capital investido
Tudo isso fez com que a taxa de crescimento do NOPAT fosse maior que a do capital investido, empurrando o ROIC para cima.
O crescimento não foi engolido pelo ciclo operacional
Tem empresa que cresce muito, mas quando você vai olhar com mais calma, percebe que a operação começa a consumir tanto capital que boa parte desse crescimento não aparece no caixa. Um exemplo disso que comentei recentemente por aqui foi a Boa Safra, a $SOJA3 (relembre aqui).
Na WEG, o quadro parece diferente.
A NCG até se expandiu nominalmente de 2020 para 2021, mas depois se manteve relativamente estável.
Mas o mais interessante é olhar a NCG em relação à receita.
A NCG/ROL saiu de 27% em 2017 para 14% atualmente.
Isso é bem positivo.
Na prática, a empresa passou a precisar de menos capital de giro, proporcionalmente, para sustentar uma operação maior.
É o tipo de sinal que mostra uma operação mais eficiente, mais redonda e menos gastadeira em capital para continuar crescendo.
Essa leitura conversa bem com o Modelo de Fleuriet, em que a companhia aparece com classificação sólida em toda a série histórica, de 2010 para cá.
Isso reforça uma configuração saudável entre NCG, capital circulante líquido e saldo de tesouraria.
Ao mesmo tempo, o fluxo de caixa operacional cresceu forte nos últimos anos, com boa conversão de EBITDA em caixa.
Além disso, como a NCG ficou relativamente controlada, o incremento consumido pelo ciclo operacional foi baixo.
Resumo da ópera: boa parte do resultado operacional virou caixa de verdade, em vez de ficar presa no giro.
A estrutura de capital saudável
Outro ponto que reforça a qualidade do caso WEG é a estrutura de capital.
O fluxo de caixa operacional tem coberto com folga o CAPEX, o que sugere um crescimento majoritariamente autofinanciado.
Isso, por si só, já é um bom sinal.
Quando olho isso junto da posição de caixa líquido (dívida líquida negativa) da companhia, a leitura fica ainda mais positiva.
A WEG cresce, portanto, sem depender de dívida para sustentar o crescimento, ou seja, ela consegue crescer com geração de caixa suficiente para financiar a própria expansão.
Outro ponto muito positivo é que, historicamente, o WACC da companhia é relativamente baixo e estável, com mediana próxima de 11,23%.
Isso ajuda bastante a gestão a ter maior previsibilidade nos projetos de capital que avalia.
Como a empresa tem baixo endividamento, a maior parte da contribuição para esse custo de capital vem do capital próprio.
Ou seja, além de entregar retorno alto, a WEG faz isso sobre uma estrutura equilibrada, com risco financeiro controlado.
O EVA amarra a tese
Para mim, usar o EVA faz sentido justamente porque ele junta todas essas peças.
Isso porque ele me diz se a empresa está gerando valor econômico acima do seu custo de capital.
E no caso da WEG, olhando o histórico, a resposta parece bastante clara.
Com a curva de ROIC melhorando, principalmente a partir de 2017, a companhia passou a operar com retorno acima do WACC de forma consistente e com cada vez mais folga. Ou seja, esse spread foi aumentando.
Em termos bem diretos: cada real reinvestido no negócio passou a render mais do que o custo exigido por esse capital.
Quando uma empresa consegue fazer isso durante muitos anos, é esperado que o mercado reconheça:
Para quem quiser enxergar isso na prática
Toda essa leitura eu fiz usando a Apolo.
A ideia da plataforma nunca foi jogar indicador solto na tela. Sempre foi tentar conectar as peças: rentabilidade, capital investido, ciclo operacional, geração de caixa, custo de capital e geração de valor, tudo conversando entre si.
Apesar de o exemplo aqui ter sido a WEG, essa lógica pode ser aplicada às outras empresas listadas e também a empresas de capital fechado (basta cadastrar as demonstrações financeiras na plataforma).
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Por hoje é só.
Forte abraço e até a próxima!












É um caso emblemático e extremamente difícil de ser encontrado em qualquer screening. Minha tese é de que é quase impossível subir nesse bonde bem no começo, mas alguns atributos da companhia são identificáveis no médio prazo, o que possibilita ser investidor e ainda ganhar muito dinheiro. Parabéns pela aula.