Como reconhecer em que ponto estamos do ciclo?
A ciclicidade é inevitável.
Se você ainda não conhece a analogia do pêndulo, de Howard Marks, vale a pena conhecer.
Segundo ele, o mercado raramente permanece no centro.
Ele oscila constantemente para um dos extremos e, quando chega lá, tende a inverter o movimento.
Assim como no pêndulo físico, a ciclicidade nos mercados é inevitável.
Isso implica um processo contínuo e recorrente de:
→ Medo → Pânico → Caos → Esperança → Otimismo → Ganância → Euforia → Negação → Medo → Pânico → Caos → …
E tentar prever o momento exato de mudança dentro do ciclo costuma ser inviável.
Por isso, ainda seguindo Marks, o mais útil é reconhecer em que ponto do ciclo estamos.
Apenas essa compreensão já melhora de forma significativa o processo de tomada de decisão.
O guia de Marks
Em “O mais importante para o investidor”, Marks apresenta um conjunto simples de critérios para ajudar a identificar a fase do ciclo.
Transcrevi esses critérios para a tabela abaixo.
A lógica é: se a maior parte das respostas se inclina para a coluna da esquerda, a postura recomendada é de cautela. Se a maioria recai na coluna da direita, o ambiente tende a ser mais favorável ao risco.
Imagem: Adaptada de “O mais importante para o investidor”, de Howard Marks.
O momento atual da economia brasileira
No Brasil, onde até o passado é incerto, manter algum otimismo com a economia é incomum.
Ainda assim, considero que esse é meu ponto de partida.
Diante das recentes agitações políticas, tentei preencher o modelo de Marks com a minha própria percepção.
O Brasil convive com crises políticas há muitos anos. E continua funcionando.
Como costuma dizer Raul Sena, do Investidor Sardinha, o país frequentemente caminha até a beira do precipício, mas quase sempre recua antes de cair.
Abaixo está a minha avaliação pessoal dos itens da lista.
Recomendo que você faça o mesmo exercício utilizando a tabela original, com a sua percepção. Deixe um comentário destacando os itens que marcou diferente de mim.
Para quem acompanha outros mercados, o modelo também pode ser aplicado a diferentes geografias e economias, contribuindo na definição de uma alocação global.
O que realmente move os mercados
Quatro fatores estruturais moldam o comportamento dos mercados ao longo do tempo: crescimento, inflação, prêmios de risco e taxas de desconto.
Cada um age individualmente, mas o efeito relevante surge na forma como interagem entre si e alteram o valor dos ativos.
Comentei isso com mais profundidade no post abaixo, que deixo como leitura complementar.
Os 04 elementos primordiais que determinam a direção dos mercados
Os 04 elementos primordiais que determinam a direção dos mercados
Como tenho alocado meu capital na fase atual do ciclo
No meu caso, tenho adotado uma maior exposição a empresas brasileiras.
A alocação global ficou menor do que considero ideal, mas as oportunidades no BR nos últimos 12 meses me levaram a reduzir parte da posição internacional para reforçar a parcela doméstica.
Um ponto crucial da minha estratégia é que, mesmo estando alocado majoritariamente em empresas nacionais, boa parte da receita delas é global, ou seja, não dependem apenas da economia local.
Caso tenha interesse em entender com mais detalhe a estratégia que venho adotando na minha carteira pessoal, deixo abaixo o link para o post recente em que comento a respeito:
Minha carteira de ações - Piloto
Este é o primeiro post dessa série, na qual reunirei, de forma organizada e transparente, as movimentações na minha carteira pessoal de ações.





