Antirruído: o caso Raizen
Por que você deveria esquecer o cenário "voltar ao preço de IPO"
Resolvi publicar esta edição curta e extraordinária porque o tema Raízen não sai do radar.
E como tenho visto muita gente presa na ideia de “vai voltar pro preço do IPO”, achei que valia deixar um comentário curto.
O ponto principal é que a Raízen de hoje não tem a mesma estrutura de capital da Raízen do IPO.
A dívida tomou o lugar do acionista
A forma mais simples e fácil de enxergar isso é olhar o valor do negócio inteiro, ou seja, o valor de firma (EV):
EV = Equity + Dívida Líquida
Logo: Equity = EV − Dívida Líquida
No IPO, tínhamos aproximadamente:
Equity: 76 bi
Dívida líquida: 14,1 bi
EV: 90,1 bi
Hoje:
Equity: 7 bi
Dívida líquida: 55 bi
EV: 62 bi
O que isso mostra:
O “tamanho do negócio” (EV) caiu, sim (90,1 → 62, queda de ~31%).
Mas a parte do acionista caiu muito mais (76 → 7, queda de ~91%).
A dívida tomou uma proporção gigante (14,1 → 55, +290%).
No IPO, a dívida era uma fatia pequena dessa conta. Hoje, ela virou quase tudo.
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Por que isso quebra o argumento de “voltar ao preço do IPO”
Porque o “preço do IPO” não era só um preço.
Era uma composição de preço + estrutura de capital.
Fazendo um exercício rápido:
Se a Raízen voltasse a ter o mesmo valor de firma do IPO (EV = 90,1 bi), mas considerando a dívida de hoje (55 bi), a parte do acionista seria:
Equity = 90,1 − 55 = 35,1 bi
Ou seja: mesmo voltando o EV pro nível do IPO, o equity ficaria em 35 bi, bem abaixo dos 76 bi do IPO.
Pra ter voltar ao preço de IPO com a dívida atual, o negócio teria que valer algo como:
EV = 76 + 55 = 131 bi
Ou seja, o EV seria 45% superior ao do IPO.
A situação atual
A situação é delicada e, na minha visão, o investidor pessoa física médio não deveria se expor a esse tipo de risco.
Como sempre, isso não é recomendação. É só a minha opinião.
O último resultado da Raízen saiu ontem e está disponível neste link.
Chamo atenção para um trecho da última página do documento:
”Anexo XIII – Incerteza significativa relacionada à continuidade operacional
(…) a Companhia entende que, no contexto atual em que se encontra inserida, a execução operacional, por si só, já não é suficiente para mitigar o desequilíbrio existente da estrutura de capital (…)”
Minha exposição
Neste setor, eu tenho preferido aportar em uma empresa com uma estrutura de capital bem mais sólida e que é referência em produtividade.
Inclusive, fiz um novo aporte nela ontem.
Se quiser conhecê-la:
Carteira Pessoal Atualizada
Esta edição é, na prática, um post fixo que ficará disponível neste link.
Por hoje é só.
Forte abraço e até a próxima!



