Laboratório do Investimento

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Já é hora de realizar o lucro?

Devaneios de uma segunda-feira muito louca + 3 small caps que precisariam subir mais de 100% para chegarem a seu valor justo

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out 06, 2026
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“Vender ações ganhadoras e manter as ações perdedoras é como cortar as flores do jardim e regar as ervas daninhas.”
Peter Lynch

A bolsa disparou.

Para alguns, é só mais um voo de galinha.

Para outros, o tão sonhado rally está só começando.

No meio disso tudo, está o investidor pessoa física: geralmente perdido como sempre.

Perdi as contas de quantas pessoas vi, apenas nas últimas 24 horas, aplicando a famosa “técnica infalível”:

“Vou vender, realizar parte do lucro e comprar de novo quando cair”

Se eu soubesse exatamente quando a bolsa vai parar de subir e começar a cair, ou vice-versa, certamente eu estaria rico a ponto de não estar escrevendo esse texto nesse momento.

Tentar acertar o “fiofó da mosca” em movimentos de topo e fundo é algo completamente insano e fora de cogitação para mim, dadas as minhas limitações técnicas e psicológicas para isso.

O “risco real” é maior justamente quando a percepção de risco é menor, e vice-versa.

Tentar prever a hora certa de vender ou de comprar é uma completa perda de tempo, a não ser que você seja um daqueles traders que nunca perderam dinheiro na bolsa.

Dito isso, esta edição é direcionada especialmente para dois tipos de investidor:

  1. quem ficou de fora da alta e segue “esperando o momento certo”

  2. quem está eufórico demais com a alta


O que você verá nesta edição

  1. Só pega o ônibus quem fica no ponto esperando

  2. O preço é só um reflexo de expectativas

  3. Cuidado com o ego e com o viés da projeção

  4. Small caps: o grande tesouro

  5. 3 small caps que precisam subir mais de 100% para chegarem a seu valor justo

  6. Palavras de ac(alento)


Só pega o ônibus quem fica no ponto esperando

Mr Bean Waiting
Mr Bean - Banijay

Não quero “chover no molhado”, mas vale lembrar: só pega o ônibus quem fica no ponto esperando.

Sabe-se lá se esse é um voo de galinha ou se realmente estamos no começo de um grande ciclo de alta na bolsa brasileira.

Isso não faz diferença se você tem um horizonte de longo prazo adequado para investir em ações.

Certamente, quem teve a paciência (e, principalmente, a saúde mental) para montar posições nos últimos anos tem uma chance, quiçá geracional, de multiplicar patrimônio nos próximos anos, simplesmente porque comprou barato (e não porque o Brasil vai mudar de água para o vinho do dia para a noite; o Brasil continuará sendo o Brasil).

Já quem preferiu ficar de fora, esperando um cenário mais claro, ainda tem a oportunidade de comprar muita coisa boa e barata, mesmo com a alta estupenda do pregão de ontem.

Mas é preciso ser honesto: esperar o cenário ficar claro o suficiente tem um custo. Na bolsa, cenário claro costuma ser sinônimo de cenário já precificado.

Muita gente ficou de fora esperando uma definição política para se sentir segura. E lembre-se: o dinheiro não tem partido.

Cada um tem suas ideologias, em todas as instâncias da vida pessoal: cultura, educação, família e política.

Mas o único filtro ideológico que deveria valer na hora de investir é o da ética e da moralidade.

Trate com racionalidade o capital que você acumulou e que pode sustentar a sua liberdade financeira.

Do contrário, você estará tratando algo que deve ser frio (como o dinheiro) de forma subjetiva e emocional, e não de maneira objetiva e racional.

O dinheiro precisa ser tratado de forma cética e sem sentimentos.


O preço é só um reflexo de expectativas

O preço dos ativos na bolsa é apenas a representação de um conjunto de probabilidades futuras, que refletem expectativas, também futuras, construídas a partir da base contextual e factual de hoje.

A alta de ontem reprecifica essas expectativas.

Parte dela pode ser justificada (percepção de menos risco fiscal e juros menores à frente) e parte pode ser exagero.

Por isso, se você quer mais exposição à bolsa neste momento, não deixe o FOMO de ver tudo subindo te dominar e te levar a comprar qualquer coisa no impulso só para “não ficar de fora da festa”.

Ao mesmo tempo, se você, assim como eu, está bastante comprado em bolsa, não é hora de deixar a emoção e a euforia tomarem conta, mesmo com ganhos de proporções consideráveis.

O controle emocional precisa reinar.

Não há nada pior do que deixar seus “divertidamentes” tomarem conta das suas decisões de investimento.


Cuidado com o ego e com o viés da projeção

O viés da projeção é achar que o que aconteceu nos últimos dias vai se perpetuar:

  • para o eufórico, que a alta é interminável;

  • para quem ficou de fora, que a espera será premiada com uma queda.

Ganhar dinheiro na bolsa quando tudo sobe não é o mais complexo dos desafios.

Por isso, devemos ter cuidado com o ego.

É extremamente satisfatório ver tudo subindo na carteira. Superar os índices e os coleguinhas é ainda mais prazeroso.

Mas se apegar a isso é uma das piores coisas que você pode fazer neste momento.

Eu, particularmente, tenho pensado em como “hedgear” algumas posições que já subiram demais e agora ocupam mais espaço do que deveriam na carteira.

Isso não necessariamente me levará a vendê-las, porque são justamente as “flores” a que me referi na citação de Peter Lynch, no começo desta edição.

Mas talvez direcionar os próximos aportes para a renda fixa, “até a poeira baixar”, seja a decisão mais sensata no meu caso.

Você pode acompanhar minha carteira pessoal de ações neste link:

Acesse minha carteira de ações

Para quem já está posicionado, não fazer nada também é uma decisão.

Para quem está de fora, também é, e tem um custo.

Se você é do time que estava entupido de renda fixa até agora, correr para montar uma posição em bolsa não vai “tirar o atraso”.

Mas entrar aos poucos, escolhendo bons negócios com desconto sobre o valor, é muito diferente de entrar por medo de ficar de fora.

Lembre-se de que o período eleitoral ainda não acabou, o próximo governo ainda não está definido e o mundo vive uma época muito esquisita, de conflitos bélicos, econômicos e muitas incertezas. Então, certamente ainda haverá turbulências. A bolsa não vai subir para sempre.

Além disso, seja qual for sua ideologia política e seja qual for o próximo governo, o Brasil continuará sendo o Brasil.

Temos nossas vantagens competitivas, bem como nossas fragilidades, e elas não mudarão do dia para a noite.


Small caps: o grande tesouro

Há alguns anos estudo e acompanho profundamente as small caps da bolsa.

Já escrevi sobre elas e compartilhei por aqui diversas vezes no último ano. É só dar um “pesquisar” na página do laboratório que você encontrará dezenas de posts relacionados.

Investir em small caps nos últimos anos foi uma decisão complexa e, para a maioria das pessoas, ruim.

Por incrível que pareça, algumas small caps da minha carteira superaram com folga os índices de referência.

Por isso, sigo acreditando nas “small caps de valor”: pequenas em market cap, mas grandes em potencial de geração de valor no longo prazo.

Acesse minha carteira de ações

Mas é fato que o desconto nas ações brasileiras é atualmente muito maior nas empresas de menor capitalização. A relação SMLL/IBOV segue nas mínimas históricas:

O investimento no longo prazo é um jogo de probabilidades. Posicione-se a favor delas e suas chances de ganho aumentarão.

Historicamente, quando o mercado começa a ganhar mais confiança no cenário doméstico, o movimento costuma se espalhar para as small caps com mais força.

A queda mais consistente dos juros, o fechamento da curva longa e uma melhora gradual do crédito tendem a beneficiar de forma desproporcional as empresas menores.

Não é algo que acontece de um dia para o outro.

Mas, quando começa, costuma ser rápido.

Nos últimos quatro ciclos de queda da Selic:

  • Small caps subiram, na média, 11,5% para cada 1 ponto percentual de corte;

  • O Ibovespa subiu, em média, 6,4% no mesmo movimento.

Ou seja, small caps reagiram quase duas vezes mais à queda de juros em relação ao índice amplo. E é por isso que acho que elas merecem atenção.


3 small caps que precisam subir mais de 100% para chegarem a seu valor justo

A queda dos juros é um vento a favor, mas as três empresas abaixo têm gatilhos diferentes:

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