Laboratório do Investimento 🧪💸

Laboratório do Investimento 🧪💸

KEPL3 (↓40%): oportunidade ou furada?

Kepler Weber (KEPL3) desaba quase 40% desde que o negócio com a GPT melou

jun 03, 2026
∙ Pago

KEPL3 segue apanhando desde que a proposta de fusão/incorporação pela Grain & Protein Technologies, a GPT, dona da GSI, foi por água abaixo.

Quem acompanha o LabInvest desde quando isso aqui era tudo mato sabe que comprei Kepler para minha carteira no início de 2025 e vendi durante a negociação do processo, a ~R$ 10 (racional da venda de KEPL3).

À época, destaquei que a relação risco-retorno tinha ficado mais desfavorável.

Na minha leitura, havia mais possibilidade de perda do que de ganho em seguir carregando o papel até a definição do desfecho da operação.

Não bastasse a devolutiva no preço de KEPL3, também vimos um festival de desalinhamento da administração com o minoritário, ponto que comentei neste post aqui.

Mas, passado o alvoroço, a pergunta volta para a mesa:

O mercado exagerou na queda?

O que derrubou ainda mais KEPL3

O papel vem fazendo novas mínimas e, nos últimos dias, acelerou para baixo após o rebaixamento do Citi.

Segundo os analistas, os agricultores brasileiros seguem operando com margens apertadas, mal conseguindo cobrir custos e despesas.

Nesse cenário, a disposição para investir em armazenagem fica naturalmente menor, justamente o principal mercado da Kepler, que vende silos e sistemas de armazenamento para grãos.

O Citi reduziu a recomendação para venda, com preço-alvo de R$ 5,60 por ação, e estima que a companhia negocie perto de 14 vezes o lucro projetado para 2026.

Mas será que há exagero de pessimismo nessa avaliação e na leitura do mercado como um todo?

Para mim, o ponto-chave está em monitorar o ROIC.

Explico.


O que mudou na Kepler nos últimos anos

A Kepler passou por uma mudança operacional relevante.

Nos últimos 3 a 4 anos, a companhia priorizou resiliência via eficiência operacional, controle rigoroso de custos, diversificação geográfica e ampliação de segmentos atendidos.

Isso permitiu preservar rentabilidade e geração de caixa mesmo em anos mais fracos para o setor, como 2025.

A imagem abaixo ajuda a explicar esse ponto.

Note como a margem EBITDA segue consideravelmente superior à apresentada há dez anos, mesmo com a soja em patamar mais baixo.

Note também como a capacidade estática de armazenagem reduziu no período, saindo de 81% em 2015 para 63% no 1T26.

Isso não elimina os impactos do ciclo ruim. Mas mostra que a Kepler de hoje não é exatamente a mesma companhia de dez anos atrás.


Como a Kepler tem se virado no cenário ruim

Diversificação de negócios

A Kepler vem buscando reduzir dependência de um único segmento, avançando em negócios internacionais, biocombustíveis, proteínas, culturas emergentes e projetos de maior escala.

Eficiência operacional

No 1T26, a companhia destacou redução de custos, controle de SG&A, menor custo com garantias e maior internalização operacional. A apresentação institucional também apontou caixa líquido de R$ 56,6 milhões no trimestre e baixa inadimplência, perto de 1%.

Soluções digitais

A Procer, braço de conectividade e dados, alcançou mais de 2.800 unidades conectadas no 1T26, alta de 41% em relação ao 1T25, reforçando a tentativa da companhia de ir além da venda tradicional de equipamentos.


O elemento principal: ROIC

Mesmo nesse cenário adverso, a Kepler entregou ROIC superior a 20%.

E o histórico recente é muito forte:

Além disso, a estrutura de capital segue muito confortável, com dívida líquida negativa, ou seja, mais caixa do que dívida.

A necessidade de CAPEX também é baixa em relação à receita, o que ajuda a sustentar geração de caixa mesmo em ciclos mais pressionados.

A luz amarela, porém, deve ser ligada para o Capital de Giro.

Em 2020, a companhia operava com ciclo de caixa negativo, sustentado principalmente por um prazo elevado com fornecedores.

Com o passar dos anos, esse benefício foi diminuindo: o prazo de fornecedores caiu de 178 dias em 2020 para 80 dias no 1T26, enquanto contas a receber e estoques voltaram a subir.

O resultado foi a virada do ciclo de caixa para terreno positivo, saindo de -50 dias em 2020 para 78 dias no 1T26, e o aumento do capital de giro líquido, que saiu de -R$ 113 milhões para R$ 298 milhões.

Ou seja, mesmo com ROIC elevado e balanço confortável, a companhia passou a consumir mais capital de giro para operar, ponto que merece acompanhamento em um ciclo mais pressionado do agro.

Em síntese, a Kepler pode e deve sofrer no curto prazo (próximos 2 anos).

Mas ainda é uma empresa com (1) alta rentabilidade sobre o capital, (2) balanço leve e (3) baixa necessidade de reinvestimento pesado para continuar operando e crescendo.

E é muito difícil encontrar esses três componenentes em uma mesma empresa.

A questão é monitorar até quando isso vai se manter, tendo em vista a ausência de um horizonte positivo no curto prazo.


A que preço eu compraria KEPL3?

O conteúdo a seguir é exclusivo para assinantes.

Faça o upgrade para o plano pago e desbloqueie o acesso a todos os conteúdos completos, planilhas de valuation, minha carteira pessoal de ações e acesso ao grupo fechado na comunidade do WhatsApp, onde compartilho diariamente insights com os membros.

Avatar de User

Continue lendo este post gratuitamente, cortesia de Laboratório do Investimento.

Ou adquirir uma assinatura paga.
© 2026 Gustavo Moraes · Privacidade ∙ Termos ∙ Aviso de coleta
Comece seu SubstackObtenha o App
Substack é o lar da grande cultura