Carteira Pessoal | Edição Piloto
Uma nova série, onde compartilharei tudo sobre minha carteira pessoal de ações
Este é o primeiro post dessa série, na qual reunirei, de forma organizada e transparente, as movimentações na minha carteira pessoal de ações.
O objetivo não é sugerir caminhos de investimento, mas documentar o processo, revisar teses e mostrar como aplico, na prática, os mesmos princípios que discuto no Laboratório do Investimento.
É um exercício de método, não de recomendação.
Portanto, é altamente recomendável que você tome conhecimento do Disclaimer completo disponível neste link.
Perfil de investidor
Primeiramente, é necessário contextualizar que tenho um perfil com maior tolerância à volatilidade, elemento natural do mercado de ações.
Isso é resultado de uma série de fatores, os quais discutirei ao longo das edições desta série.
Mas o ponto principal é: consigo dormir tranquilo com a composição da minha carteira.
Tenho como diretriz principal ter, no máximo, 12 ações. Em alguns momentos tive apenas 8. Hoje tenho 11.
Defini este limite considerando (1) a minha capacidade de acompanhar de perto os negócios e (2) a busca por potencializar o retorno de longo prazo da carteira, concentrando o capital em teses nas quais eu tenha maior nível de convicção.
Dito isso, aproveito para reforçar aqui minha opinião de que é crucial aprender a reconhecer seu perfil de investidor e nível de tolerância à volatilidade, seja por conta própria ou com a ajuda de um profissional.
Estratégia
Defendo uma estratégia de investimento em valor, garantindo que haja sempre uma margem de segurança confortável o suficiente para justificar a manutenção ou compra dos ativos.
Desde que meus critérios sejam atendidos, não tenho nenhuma restrição quanto a investir em:
Empresas alavancadas;
Empresas que não distribuem dividendos;
Empresas de baixa capitalização de mercado (small caps e micro caps).
Todavia, evito investir em empresas de determinados setores da economia, como:
Aviação;
Varejo;
Construção Civil.
Reforço que evitar não significa que nunca investirei. Tudo depende.
Assim, se eu pudesse resumir minha estratégia em uma frase seria:
Investir em empresas com vantagens competitivas relevantes, com ampla margem de segurança em relação ao valor justo e com capacidade de, no mínimo, manter as vantagens conquistadas por tempo o suficiente para remunerar adequadamente o meu capital.
Qualificação e Alocação Máxima
O estudo qualitativo das empresas é parte fundamental do meu processo de seleção.
Confesso que, quando comecei, cheguei a “abrir exceções” para comprar ações extremamente descontadas, mesmo que a empresa em si não tivesse um bom negócio.
Felizmente, após alguns erros amargos, aprendi.
Hoje, após estudar a empresa, atribuo a ela 2 parâmetros de qualificação:
Nível de Qualidade da Empresa (A, B ou C)
A: empresas líderes ou bem posicionadas, histórico consistente, mais de 10 anos de operação e listagem; governança sólida e vantagem competitiva clara.
B: empresas competentes, com histórico razoável, algum grau de competitividade, mas ainda sem diferenciação estrutural ou com execução irregular.
C: empresas sem vantagem competitiva evidente, histórico curto ou inconsistente, baixa previsibilidade operacional.
Risco de Perda Permanente de Capital (Baixo, Médio e Alto)
Baixo: negócios estáveis, balanços robustos, baixa alavancagem e alta previsibilidade operacional.
Médio: empresas com exposição relevante a ciclos, execução irregular ou alguma dependência de variáveis difíceis de controlar.
Alto: negócios frágeis, alavancados, sensíveis a condições externas ou com risco claro de diluição, perdas estruturais ou deterioração permanente.
A partir destes parâmetros, estabeleci uma matriz de alocação máxima dentro da carteira de ações, conforme imagem abaixo.
Quanto maior a qualidade e menor o risco de perda permanente de capital, maior a alocação máxima permitida, e vice versa.
Além da limitação de exposição individual por ação, também sigo algumas diretrizes complementares.
São elas:
Limite máximo de exposição a determinado setor → até 25% da carteira;
Limite máximo de exposição a ações de Alto Risco → até 15% da carteira.
Regra de rebalanceamento
Indo direto ao ponto: não sigo uma regra de rebalanceamento fixa.
O que busco sempre é (1) olhar daqui para frente, independente de preço médio e (2) não ultrapassar os limites de alocação pré-definidos acima.
Logicamente, é natural que os limites mencionados sejam momentaneamente ultrapassados diante da valorização dos papéis.
Neste caso, não necessariamente busco vender para reduzir a posição. Opto por apenas parar de direcionar novos aportes.
Realizo vendas apenas em 03 situações:
A empresa perde seus fundamentos e dá sinais claros de que a exposição ao risco está aumentando acima do que considero adequado;
A margem de segurança para o valor que considero justo é consideravelmente reduzida ou negativa;
Há oporturnidades de compra na carteira (ou fora dela) com uma melhor relação risco x retorno.
Critérios para novo aporte
Uma vez estabelecidos (1) a estratégia, (2) as regras de alocação máxima e (3) os critérios de rebalanceamento (que na verdade são bastante flexíveis), destaco abaixo quais são meus parâmetros para tornar um ativo que já esteja em minha carteira apto ou não a receber novos aportes.
Estes critérios também podem ser aplicados nas empresas da minha Lista de Espera, que comento no tópico seguinte.
Assim, os parâmetros são:
→ Cotação inferior ao meu preço teto
De posse do valor justo calculado para a empresa, aplico uma margem de segurança para definir o meu preço teto.
Preço Teto = Valor justo x (1 - % Margem de Segurança)O percentual definido deve ser suficientemente adequado (sob a minha ótica) para cobrir eventuais erros no meu processo de avaliação da empresa.
Por isso, costumo adotar uma margem de 20% a 30%, variável conforme meu nível de convicção.
A cotação, isoladamente, não importa. Ela apenas determina o preço pago no período zero, que é o ponto de partida da TIR do investimento. Quanto menor o preço em relação ao valor justo, maior a margem de segurança e, potencialmente, maior o retorno esperado.
→ Alocação atual inferior ao máximo definido
Conforme já mencionado acima, o critério de alocação máxima é respeitado no momento do aporte, tanto individualmente quanto em grupo/setor e classe de risco.
Assim, verifico (1) se o peso atual do papel na carteira é inferior ao máximo definido para ele, (2) se o setor a qual ele percente já não ocupa 25% ou mais na carteira e, por fim, (3) se a exposição a risco do portfólio continuará sendo respeitada.
→ Gatilhos de curto prazo
Embora não utilize análise técnica como fundamento de investimento, recorro a ela pontualmente para identificar tendências de curto prazo: queda, lateralização ou alta, que podem melhorar o ponto de entrada.
Esses sinais não determinam a decisão, apenas ajudam a calibrar o momento.
Como uma parcela relevante da liquidez diária no mercado é influenciada por fluxos de curto prazo (operações feitas pelos traders), compreender esse comportamento oferece vantagem tática.
Em outras palavras, é útil reconhecer as dinâmicas que movem o mercado no curto prazo, mesmo quando o foco permanece no longo.
Desempate e priorização
Geralmente, haverá na carteira mais do que um papel apto para aporte.
Nestes casos, utilizo um critério de desempate simples: aporto no papel que tenha a melhor relação Risco x Retorno dentre aqueles marcados como aptos.
Meço isso cruzando (1) maior margem de segurança em relação ao valor justo e (2) maior TIR no fluxo de caixa projetado.
O melhor posicionado, será o escolhido.
Faço de 2 a 3 aportes por mês, geralmente cada um deles direcionado a apenas um papel.
Outros comentários: caixa e lista de espera
Vale comentar que busco sempre manter uma parcela de aproximadamente 10% da carteira em caixa, para aproveitar dias de quedas expressivas.
Ademais, além das empresas que tenho em carteira, tenho uma lista de outras companhias que acompanho.
Elas ficam em uma “lista de espera” e, eventualmente, podem ser inseirdas na carteira, desde que sejam atendidos todos os critérios mencionados acima e que elas ofereçam uma melhor relação risco x retorno do que os papéis investidos no momento.
Comentários Finais
Esta foi uma edição piloto para uma nova série iniciada aqui no Laboratório do Investimento.
Reforço que o objetivo principal é mostrar como aplico, na prática e com o meu patrimônio, os mesmos princípios que discuto por aqui.
Ao longo das próximas edições desta série trarei:
Composição da carteira e atualizações;
Estudo sobre minhas teses de investimento;
Métodos qualitativos e quantitativos de avaliação de empresas que uso na gestão da minha carteira;
Lista de espera das empresas que sigo acompanhando.
Buscarei sempre entregar profundidade, clareza e rigor técnico.
Forte abraço e até a próxima.
Mais detalhes da carteira na próxima edição.
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