Oportunidades em ações de qualidade e setores perenes
Preço x Valor: aproveitando a pequena correção da bolsa
A bolsa caiu recentemente → Alguns ativos da sua carteira caíram mais do que o índice → A ansiedade de agir já começou a bater.
Se você se identificou com a sequência acima, neste momento, geralmente o melhor a se fazer é simplesmente não perder tempo se perguntando:
“Por que o preço caiu?”
Preço é muito diferente de valor, como sempre comento por aqui.
O preço é afetado por milhares de nuances: fluxo, liquidez, humor de mercado, juros, câmbio, risco político, percepção externa, rotação setorial, venda forçada, realização de lucro e por aí vai.
Por isso, nem sempre faz sentido gastar energia tentando explicar cada movimento de curto prazo.
Esse tempo, energia e atenção deveriam ser direcionados para algo mais importante: acompanhar as empresas investidas.
A tese mudou estruturalmente?
Aconteceu algo relevante na empresa?
Surgiu algum fator macroeconômico capaz de alterar, de fato, o valor do negócio?
Então, sempre que se sentir ansioso com o mercado, pergunte-se:
“Aconteceu algo que altere o valor do negócio?”
Nas últimas semanas, por exemplo, vimos uma saída relevante de capital estrangeiro da bolsa brasileira. E essa foi, basicamente, a principal razão para a queda dos preços.
Os motivos da saída são inúmeros: maior fluxo para as empresas de tecnologia lá fora, guerras, aumento da percepção de risco no Brasil, ruídos fiscais, ruídos eleitorais, juros, câmbio etc.
Agora se pergunte:
Como a saída de capital estrangeiro, por si só, altera o valor de uma boa empresa?
Na maior parte dos casos, não altera.
Pode derrubar o preço da ação no curto prazo, mas não muda a capacidade daquele negócio de gerar caixa, crescer, distribuir dividendos ou reinvestir com retorno adequado.
Muita gente se perde neste momento. O investidor olha para o preço caindo e presume que o valor também mudou, mesmo sendo coisas completamente diferentes.
A janela atual pode ser uma oportunidade para comprar negócios de alta qualidade a preços muito descontados. Em alguma medida, me lembra o que vimos no fim de 2024 e no início de 2025 na bolsa brasileira.
Por isso, atenha-se ao que realmente importa:
Encontrar negócios de valor e manter uma estratégia coerente.
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Entender a diferença entre preço e valor é fundamental para lidar melhor com os próprios impulsos psicológicos.
Esse é justamente um dos temas das aulas 2 e 3 do módulo 1 da Oficina de Finanças Corporativas Aplicadas ao Investimento em Ações.
Tenho certeza de que o conteúdo pode agregar muito ao seu processo de estudo, análise e seleção de ações.
Se fizer sentido para você, clique abaixo e conheça a Oficina:
Oportunidades em ações de qualidade e setores perenes
Como já comentei anteriormente, em momentos como este, em que praticamente tudo cai, inclusive empresas de muita qualidade e com estabilidade nos resultados, penso que o investidor racional de longo prazo deveria priorizar os aportes justamente nessas teses (não é recomendação).
Por isso, preparei uma pequena amostra de ações de empresas de qualidade, de setores perenes e que, na minha visão, negociam a preços atrativos.
Bancos
No setor bancário, Bradesco, Santander e Itaú aparecem entre as opções mais interessantes.
Bradesco: negocia próximo de 6x lucro estimado, com retorno esperado de aproximadamente IPCA + 10% ao ano. A tese ainda não considera uma eventual reprecificação de múltiplos caso os juros caiam.
Santander: também negocia próximo de 6x lucro, com desconto relevante em relação à média histórica. O retorno esperado fica perto de IPCA + 10%, mas com risco maior na carteira de crédito.
Itaú: tem retorno esperado estimado em torno de IPCA + 9,2%, com prêmio sobre a renda fixa e menor percepção de risco em relação aos pares.
Seguradoras
As seguradoras seguem com balanços sólidos e boa capacidade de pagamento de proventos.
Mesmo tendo se movimentado pouco durante a queda geral do mercado, o retorno esperado via dividendos ainda parece interessante.
Caixa Seguridade: dividend yield estimado acima de 8%.
BB Seguridade: dividend yield estimado acima de 10%.
Porto Seguro: yield menor, em torno de 6%, mas com maior diversificação de negócios.
IRB: yield menor e ainda em processo de turnaround. Por outro lado, pode carregar maior upside caso a virada operacional continue evoluindo em linha com o que vimos nos últimos dois anos.
Energia elétrica
No setor elétrico também há oportunidades, mas é preciso separar bem as empresas.
O ideal é priorizar companhias com crescimento regulado, boa geração de caixa e dividendos sustentáveis, evitando negócios muito alavancados ou com retorno pouco claro.
Alupar: tese de “crescidendos”, com retorno esperado entre IPCA + 10% e IPCA + 11%, sustentado pelo crescimento vindo do novo ciclo de investimentos. O yield atual é menor, perto de 4% a 5%.
Axia (antiga Eletrobras): segue como uma das principais teses do setor, especialmente pela combinação entre ativos de alta qualidade, desalavancagem, ganhos de eficiência e potencial de geração de caixa. A empresa já avançou bastante desde a privatização, mas ainda pode capturar valor adicional com melhoria operacional, disciplina de capital e eventual destravamento de ativos.
Celesc: vista pelo mercado como uma boa distribuidora, costuma entregar bons balanços e ainda carrega potencial de destravamento de valor em uma eventual privatização.
Cemig: voltou a negociar a preços interessantes, mas exige atenção. A empresa tem um plano pesado de investimentos até 2030, o que deve elevar a alavancagem nos próximos anos.
Como sempre, não leve nada do que escrevo aqui como recomendação de compra ou venda.
A intenção é compartilhar racionais, estudos e pontos de atenção para ajudar quem também gosta de analisar empresas com mais profundidade.
Não deixe de ler o disclaimer completo aqui.
Por hoje é só.
Um forte abraço e até a próxima.


