O que comprar quando tudo cai?
Um racional básico, mas às vezes negligenciado
Quem acompanha o mercado diariamente tem visto uma correção forte na bolsa nos últimos 30 dias.
A causa principal parece vir do mesmo fator que impulsionou a alta em 2025 e 2026: o fluxo estrangeiro.
Nos últimos 30 dias, o investidor estrangeiro tem retirado capital das ações brasileiras de forma consistente e relevante:
O saldo no ano ainda é positivo, mas a realização recente já foi suficiente para derrubar a cotação de boa parte das empresas listadas.
Pelo lado positivo, nos últimos 30 dias o investidor pessoa física tem ido na contramão:
Isso pode indicar que parte do investidor local está aprendendo a não vender na baixa.
Ou, talvez, que muitos ficaram de fora da alta e agora estejam aproveitando a correção para entrar.
De toda forma, seja qual for a motivação “real” dos fluxos, o ponto mais importante para mim é que vários papéis interessantes voltaram para faixas de preço em que a margem de segurança frente ao valor justo aumentou bastante.
E nesses momentos surge uma dúvida comum:
Devo comprar o que tem (1) maior upside ou (2) o que tem menor risco, mas upside limitado?
A resposta é mais complexa do que eu gostaria.
Primeiro, porque depende muito da composição atual da carteira do investidor.
Depende do tamanho de cada posição, da concentração por ativo, da estratégia de alocação máxima, do nível de caixa, da tolerância ao risco e de várias outras questões.
Então a resposta genérica é: depende.
Mas existe um direcionamento que considero importante na gestão da minha carteira pessoal:
Se tudo caiu, o foco deve estar nos melhores negócios da carteira.
Por mais óbvio que pareça, muitas vezes o investidor é seduzido pelo upside maior das teses mais arriscadas e acaba priorizando essas posições, em vez de aproveitar para reforçar os ativos de maior qualidade.
Se toda a carteira fosse composta apenas por empresas excelentes, a escolha seria mais simples: bastaria seguir a estratégia de diversificação e de aportes já definida.
Mas, como esse cenário é raro, o investidor precisa tomar cuidado para não inventar moda justamente quando o mercado oferece a chance de fazer o básico bem feito.
O que EU tenho feito
Tenho feito o óbvio.
Estou aproveitando a correção, que em alguns casos me parece exagerada, para comprar aquilo que considero de maior qualidade dentro da minha carteira.
No momento, isso tem significado reforçar as duas maiores posições atuais.
Os resultados recentes dessas empresas não foram negativos a ponto de justificar a queda observada, o que, para mim, aumenta a atratividade do aporte.
As eleições mal começaram e muito mais
E ainda tem outro ponto.
O efeito das eleições sobre a bolsa ainda mal começou.
O ciclo de corte da Selic ainda está no início e sabe-se lá se irá continuar.
A guerra entre EUA e Irã ainda não acabou.
Ou seja, ainda existem inúmeras variáveis capazes de impactar os mercados no curto prazo.
Isso significa que, se você já estava comprado e surfou a alta até aqui, provavelmente ainda terá oportunidades de aumentar posições em bons ativos durante momentos de correção.
E, se você ficou de fora até agora, essa pode ser uma boa oportunidade para começar a se movimentar e colocar o pé nas ações brasileiras com mais critério.
Como tenho dito, sigo com uma visão construtiva de longo prazo para o Brasil.
Caso queira se aprofundar, acesse aqui o texto em que compartilho minha “tese Brasil”.
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Por hoje é só.
Abraço e até a próxima!





