O que os CEOs com maior retorno entregue aos acionistas têm em comum?
Eu não sei responder, mas este cara sabe.
Will Thorndike (ou William N. Thorndike, Jr) é o nome da fera.
Em Outsiders, o autor mergulha em um estudo detalhado da trajetória de oito CEOs que desafiaram o modelo tradicional de gestão corporativa e, no processo, entregaram retornos extraordinários aos acionistas.
A tese central do livro é simples: os melhores CEOs pensam como investidores de longo prazo, não como executivos de curto prazo.
Com as devidas ressalvas de direitos autorais, adaptei abaixo o quadro apresentado no livro, que resume os fatores determinantes do sucesso desses gestores.
Imagem: Autor; Fonte: Outsiders, William N. Thorndike, Jr
Foco absoluto em maximizar o retorno aos acionistas
Todos os CEOs estudados viam os acionistas como sócios reais, não como figurantes que deveriam ser “agraciados” com dividendos residuais.
A prioridade era maximizar o retorno total, seja por meio de recompras de ações (realizadas com disciplina e oportunidade, a preços atrativos), seja pela alocação criteriosa do capital em projetos com alto ROIC e ampla margem de segurança.
Thorndike destaca que esses líderes enxergavam o capital como um recurso escasso e precioso, e que suas decisões financeiras eram norteadas pela mesma lógica de investidores como Buffett, Singleton ou Malone.
Aliás, Warren Buffett é um dos oito nomes estudados.
No contexto americano, onde dividendos são tributados, essa abordagem faz todo sentido.
No Brasil, o raciocínio precisa ser ajustado, mas a essência permanece: a eficiência na alocação do capital é o verdadeiro motor do valor.
Confiança total nas pessoas (especialmente no nível tático)
Outro ponto marcante é o modelo descentralizado de gestão.
Esses CEOs acreditavam que o talento deve estar próximo da operação, e que o papel da sede corporativa é dar suporte, não ditar o ritmo.
Uma das métricas curiosas levantadas por Thorndike foi o número de funcionários no escritório central: quanto maior essa proporção em relação ao total de colaboradores, pior a eficiência percebida.
A filosofia era baseada basicamente em menos controle e mais autonomia.
Os times operacionais eram tratados como donos dos resultados, e a estrutura enxuta permitia velocidade e adaptabilidade
Indiferença total ao que o mercado espera
Por fim, algo que parece óbvio, mas raramente é seguido: ignorar o ruído de curto prazo.
Esses gestores não moldavam suas decisões para agradar analistas, nem para “bater o guidance” trimestre após trimestre.
Projeções e metas públicas simplesmente não faziam parte da cultura.
O tempo dedicado a reuniões com investidores e imprensa era mínimo.
O foco estava onde realmente importava: crescer o valor intrínseco da empresa por ação ao longo do tempo.
O CEO brasileiro que está tentando entrar para a lista
Ao terminar o livro, fiquei me perguntando quais CEOs brasileiros se encaixariam nesse perfil.
São poucos os casos em que se vê, de fato, essa mentalidade de dono aplicada em larga escala.
Curiosamente, ouvi em um podcast (salvo engano, no Market Makers) que Outsiders é o “livro de cabeceira” de Rafael Sales, CEO da Allos (ALOS3), a maior administradora de shopping centers da América Latina.
E, observando seus movimentos recentes, parece que o CEO tem se esforçado para entrar para a lista dos Outsiders:
Desde outubro de 2023, a empresa recomprou cerca de R$ 1,5 bilhão em ações;
Em seguida, cancelou 7,1% do capital social, reduzindo a base acionária e elevando o valor por ação;
Tem promovido desinvestimentos seletivos, focando em ativos de maior rentabilidade;
Distribuiu quase 5% do valor de mercado em proventos nos últimos 12 meses;
E, em 2025, as ações acumulam alta de 37%.
Difícil não enxergar semelhanças com o que Thorndike descreveu em Outsiders.
Recomendação de leitura
Outsiders é um livro de leitura leve, mas profunda.
Não se trata apenas de histórias inspiradoras, mas de uma aula prática sobre gestão de capital e cultura empresarial de longo prazo.
É leitura obrigatória tanto para investidores quanto para gestores, especialmente aqueles que desejam pensar como donos e medir sucesso pelo valor que constroem, não pelo ruído trimestral.
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Por hoje é só, abraço e até a próxima!
Fique à vontade para sugerir temas, empresas ou tópicos específicos. Será um prazer aprendermos juntos.




