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O valor oculto em VALE3

Existe um “tesouro” dentro da Vale que talvez não esteja sendo precificado pelo mercado

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out 19, 2026
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Trading View - VALE3

As ações da Vale (VALE3) voltaram para o meu radar.

Os papeis acumulam uma queda superior a 20% desde o pico recente, após uma alta vertiginosa de 2025 para cá.

Em 8 de maio de 2026, publiquei por aqui um estudo sobre a empresa (acesse-o neste link). Na ocasião, apresentei um valuation simplificado para o negócio de minério de ferro e pelotas, que resultava em uma margem de segurança praticamente nula frente à cotação da época.

Nesse mesmo estudo, deixei de fora a avaliação dos negócios relacionados aos metais de transição energética, justamente por ter sido uma avaliação simplificada.

Por isso, nessa edição, decidi elaborar um estudo profundo sobre essa vertical, buscando calcular o valor intrínseco dos negócios de cobre, níquel, cobalto e outros minerais essenciais para a transição energética e revolução tecnológica atual.


O que você verá nesta edição

  1. Sobre a Vale Base Metals (VBM)

  2. O momento do cobre e do níquel

  3. Estudo de valor intrínseco/Valuation

    1. Quanto vale o negócio de minério de ferro

    2. Considerações sobre a taxa de desconto

    3. Quanto o mercado está pagando pela VBM?

    4. Metodologia adotada na minha avaliação da VBM

    5. O valor calculado para a VBM

    6. O valor oculto e o valor por ação

    7. Análise de sensibilidade do valor justo

    8. Cross-check: VBM a 100%

  4. As duas leituras possíveis

  5. Conclusão


Sobre a Vale Base Metals (VBM)

A Vale Base Metals (VBM) é a unidade de metais básicos da Vale, que reúne os negócios de cobre, níquel, cobalto e outros metais do grupo da platina, insumos da transição energética e da eletrificação.

A origem do negócio em si é bem anterior à Vale, que foi fundada em 1942.

Em Sudbury, no Canadá, o níquel começou a ser explorado ainda no século XIX.

Em 1902 foi formada a International Nickel Company (Inco), e a operação se expandiu com o depósito de Thompson (1956), a PT Inco na Indonésia (1968) e a descoberta de Voisey’s Bay (1994).

Em 2004, a própria Vale (até então CVRD) inaugurou a mina de cobre de Sossego, em Carajás (PA).

O ponto de virada do negócio foi em 2006, quando a Vale comprou a Inco, por cerca de US$ 17 bilhões.

A compra trouxe os ativos de níquel do Canadá e da Indonésia, e a PT Inco passou a se chamar PT Vale.

Na década seguinte entraram em operação Onça Puma e a Nova Caledônia (2011), Salobo I (2012), Salobo II e a planta de Long Harbour (2014) e Salobo III (2021).

A companhia tem sede em Londres e centro global de operações em Toronto.

Os ativos estão no Brasil (Carajás), no Canadá (Sudbury, Thompson, Voisey’s Bay) e na Indonésia.

A VBM foi desmembrada da Vale S.A. em 2024. Em 30 de abril do mesmo ano, a Vale realizou a venda de 10% da VBM à Manara Minerals, joint venture entre a Ma’aden e o fundo soberano saudita PIF, por cerca de US$ 2,5 bilhões. A Vale ficou com 90% e o controle.

A aritmética da negociação é simples e refletiria um valor de US$ 25 bilhões para 100% da VBM.

Abaixo alguns números dos últimos 12 meses (3T25 a 2T26), segundo dados do RI da Vale:

  • Cobre: 399,6 kt produzidas. Salobo (221 kt), Sossego (93 kt) e as minas do Canadá (86 kt, coproduto do níquel).

  • Níquel: 181,7 kt vendidas, mais subprodutos (cobre, ouro, PGMs, cobalto).

  • EBITDA ajustado do segmento: US$ 4.566 mi (cobre US$ 3.648 mi, níquel US$ 1.043 mi).

  • Salobo gerou US$ 830 mi de EBITDA só no 2T26, e US$ 2.865 mi nos 12 meses.

  • Reservas de cobre: 8,2 Mt contidas (31/12/2025), mais recursos em Hu’u (Indonésia), ainda sem estudo de viabilidade.

  • Meta da administração: sair de ~380 kt para ~700 kt de cobre.


O momento do cobre e do níquel

A IA é um negócio físico

Independentemente de haver ou não uma bolha no ecossistema de IA, parte dessa história é agnóstica à trajetória do preço das ações.

Data centers precisam de energia, e energia demanda redes, subestações, transformadores e cabos.

A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta que o consumo elétrico dos data centers passe de cerca de 415 TWh em 2024 para cerca de 945 TWh em 2030, no cenário base. A própria AIE aponta que os prazos de entrega de transformadores e cabos dobraram nos últimos três anos.

Essa fome por eletricidade se soma a frentes que não dependem do ecossistema de IA: eletrificação da frota, renováveis e reforço de redes.

O Goldman Sachs estima que rede e infraestrutura de energia respondam por mais de 60% do crescimento da demanda de cobre até 2030.

Por que o cobre

Para mover corrente em pouco espaço e com pouco calor (motores, transformadores, barramentos, cabos e racks de servidores), o cobre é muito difícil de substituir.

Uma comparação, só pela ótica da condutividade elétrica:

  • Prata: é a mais condutora, mas o custo inviabiliza o uso em escala.

  • Cobre: tem condutividade pouco abaixo da prata, maleabilidade, resistência mecânica e durabilidade contra corrosão. É a base de motores, transformadores, cabos subterrâneos e fiação de data centers.

  • Alumínio: conduz cerca de 60% do que o cobre conduz e precisa de condutores mais grossos. É leve e barato, e por isso domina as linhas aéreas de longa distância. Se o cobre ficar caro por tempo suficiente, é aqui que a substituição acontece primeiro.

Oferta e preço

Uma mina nova de cobre leva mais de uma década entre descoberta e produção, e os teores (concentração) caem.

Em 2026 a oferta ficou ainda menor por problemas operacionais. A produção mundial de minas caiu 1,1% no 1S26, segundo dados preliminares do ICSG. Houve queda no Chile, na Indonésia e na RD Congo. Diante disso, o preço respondeu e disparou:

Trading Economics - Cobre em USD/Lbs

O gráfico acima está cotado em USD/Lbs. Em USD/t, o preço mais recente exibido seria equivalente a ~ US$ 14.400/t.

O preço médio realizado no cobre pela VBM no 1S26 foi de US$ 13.083/t, inferior ao atual no mercado à vista (spot).

Níquel: o movimento oposto

A Indonésia, com mais de 50% da produção mundial, cortou a cota de minério de 2026 para 260 a 270 Mt, contra 379 Mt em 2025.

O INSG projeta déficit de 32 mil t em 2026, o primeiro desde 2021.

O preço subiu a cerca de US$ 19,5 a 20 mil/t entre abril e maio, mas recuou para cerca de US$ 15,3 mil/t em 15 de outubro, uma queda de 20% a 25%:

Trading Economics - Nickel em USD/t.

Ou seja, o níquel não acompanhou o cobre, e a tese de eletrificação não bastou para sustentar o preço.


Quanto vale o negócio de minério de ferro

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