Por que estou vendendo as ações dessa empresa?
Após um retorno de 54% em 2025, decidi começar a vender.
Estou desmontando uma posição da minha carteira pessoal após um retorno total próximo de 54% e uma TIR de 62% ao ano.
Entrei na tese no início de 2025 e, por isso, a margem de segurança para os aportes durou menos do que eu gostaria.
Consegui montar a posição até um pico de cerca de 8% da carteira.
Desde o momento em que essa margem começou a se reduzir, passei a diminuir a exposição de forma gradual.
A empresa é de alta qualidade (isso não está em discussão). Tem ROIC elevado, vantagens competitivas claras e posição de liderança no seu mercado.
À primeira vista, pode parecer contraditório vender ações de uma empresa com essas características. Mas existe um racional claro por trás dessa decisão, que explico a seguir.
Como já comentei desde o primeiro post sobre minha carteira pessoal, hoje resumo minha estratégia de investimento da seguinte forma:
Investir em empresas com vantagens competitivas relevantes, com ampla margem de segurança em relação ao valor justo e com capacidade de manter essas vantagens por tempo suficiente para remunerar adequadamente o capital investido.
O ponto central da venda está no segundo critério.
A margem de segurança em relação ao valor justo diminuiu de forma relevante nos últimos meses.
Com isso, o retorno esperado daqui para frente passou a ser menor do que o que enxergo em outras teses que já fazem parte da carteira.
Por essa razão, a venda das ações está sendo acompanhada por compras em outros ativos da própria carteira, reforçando posições com melhor relação entre risco e retorno.
Mesmo sendo um investidor de longo prazo, é preciso reconhecer quando a perspectiva sobre uma tese muda e agir antes que o mercado faça isso por você.
Neste post, explico os principais motivos que me levaram a vender as ações da empresa mesmo após um retorno acumulado de cerca de 54% em poucos meses.
Você toma decisões com convicção própria ou acaba sendo levado pelo fluxo do mercado?
Se a sua intenção aqui for apenas acompanhar de forma superficial, o plano gratuito é suficiente. Digo isso de forma sincera. Não faz sentido te cobrar por algo que será pouco utilizado.
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Quando comecei a investir, teria valorizado muito um conteúdo desse tipo. E provavelmente eu teria pago bem mais do que R$ 0,55 por dia.
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As ações que estou vendendo
Quem acompanha as movimentações da minha carteira pessoal (disponível neste link) já sabe que estou falando da Kepler Weber, negociada sob o código KEPL3.
Minha primeira compra ocorreu no final de março de 2025 e a última em agosto do mesmo ano. Ao longo desse período, consegui montar posição a um preço médio próximo de ~R$ 7 por ação.
Além da valorização, a empresa distribuiu dividendos relevantes, em torno de 10% sobre meu capital investido.
Para quem ainda não conhece a companhia, há um post específico em que detalho o negócio neste link.
Redução da margem de segurança
Indo direto ao ponto, minha estimativa de valor justo para a Kepler está atualmente na faixa entre R$ 11 e R$ 12 por ação.
Segundo documentos divulgados pela companhia, a proposta de incorporação apresentada pela GPT foi de R$ 11 por ação.
Apesar de o valor estar dentro da faixa que considero justa, o desfecho não me agradou.
Em situações como essa, é comum observar um prêmio adicional sobre o valor justo.
Aqui, o que se viu foi a aplicação de um prêmio sobre um período em que a ação estava bastante depreciada, entre R$ 7 e R$ 8.
Esse tipo de assimetria é recorrente no mercado. Empresas de qualidade ficam largadas por longos períodos, até que um comprador estratégico aparece e se beneficia disso.
Após o anúncio da intenção de incorporação, a ação subiu rapidamente e a margem de segurança praticamente desapareceu.
A partir daí, o ativo passou a apresentar um conjunto de cenários pouco atraentes, ao meu ver:
Se o negócio for fechado, o potencial de valorização fica limitado ao preço ofertado, o que cria um teto para a ação. Aos preços atuais, o ganho adicional seria próximo de 10%.
Se o negócio não avançar, existe uma chance relevante de o papel retornar para a faixa em que era negociado antes do anúncio, considerando o momento mais fraco vivido pelo agronegócio.
Existe ainda a possibilidade de um preço maior (conforme comento no próximo tópico), mas esse cenário é altamente incerto.
Na prática, isso significa que apenas um dos cenários é estritamente positivo (vender com o resultado acumulado, ~54%). Nos demais, vejo o risco assimétrico para baixo.
Diante disso, a escolha se resume a duas alternativas:
Manter a posição para tentar ganhar cerca de +10%, correndo o risco de perder algo próximo de 30%, ou
Começar a vender agora, garantir o retorno acumulado e reduzir o risco caso o negócio não avançar.
Entre as duas opções, prefiro a segunda.
Boatos envolvendo o fechamento de capital
A situação ficou ainda mais sensível com os boatos de que os dois maiores acionistas da companhia, a família Heller e a Trígono Capital, estariam negociando condições diferenciadas para a saída.
Segundo as informações divulgadas (notícia na íntegra aqui), o preço para esses acionistas estaria entre R$ 14 e R$ 15 por ação, acima dos R$ 11 anunciados ao mercado.
O tema gerou debate porque a empresa faz parte do Novo Mercado e possui tag along de 100%, o que exigiria (na teoria…) uma oferta com condições iguais para todos os acionistas.
A companhia se manifestou sobre a veiculação do boato ao final de 2025: clique aqui para ler o comunicado na íntegra.
Não negou a existência das conversas, mas afirmou que eventuais acordos adicionais estariam ligados a obrigações específicas, como cláusulas de não concorrência, e que isso não configuraria tratamento desigual.
Apesar da tentativa de esclarecimento, a situação me causou desconforto. A comunicação não foi suficiente para eliminar a sensação de assimetria.
Me pareceu mais uma boa tentativa de justificar uma bela sacanagem.
Se, de fato, a empresa buscasse equalizar a oferta, o preço final poderia se aproximar de R$ 12 por ação (considerando uma distribuição igualitária do valor total que a GPT estaria disposta a pagar).
Ainda assim, o cenário continuaria carregado de incertezas.
Melhores opções na carteira
Aqui o argumento é simples.
Existem hoje, dentro da minha própria carteira, ativos com melhor relação risco e retorno: maior potencial de retorno esperado e menos ruído.
Isso, isoladamente, já justificaria a realocação de capital.
Acesse as últimas movimentações na minha carteira pessoal de ações e veja onde realoquei o valor que estava investido na Kepler:
Conclusão
Diante de tudo isso, tenho reduzido a posição em Kepler de forma gradual.
Estou lendo o movimento como uma queda brusca na margem de segurança após reprecificação rápida do ativo.
Assim, estou buscando reduzir uma assimetria negativa imposta por um evento binário.
Ao mesmo passo, estou realocando o capital para teses com maior retorno esperado ajustado ao risco.
Penso (e espero que eu esteja correto) que isso seja disciplina de alocação, e não uma mudança de convicção na qualidade do negócio.
Ainda assim, estou fazendo isso aos poucos porque o mercado é imprevisível.
Existe sempre a possibilidade de um desfecho mais favorável, como uma oferta mais alta para todos os acionistas (o que acho improvável).
Mas caso isso aconteça, ainda estarei parcialmente exposto e participarei do ganho adicional.
Por hoje é só.
Forte abraço e até a próxima!



