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Radar de Ações #001

Visões rápidas e diretas sobre ações que sigo de olho.

mai 23, 2026
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Iniciando por aqui uma série especial para os amantes de um bom stock picking.

Se você é daqueles(as) que, assim como eu, gosta de estudar empresas individualmente para investir no longo prazo, sinta-se abraçado(a).

A partir de agora, pretendo compartilhar por aqui visões rápidas e diretas sobre 2 ou 3 ações por semana que sigo de olho.

Podem ser empresas que já estão na minha carteira pessoal, que estão na minha lista de espera ou que eventualmente podem entrar no radar.

A ideia é comentar, de forma objetiva:

  1. o que gosto e não gosto nas empresas;

  2. o que estou observando no momento;

  3. em que faixa de preço ficaria/fico mais interessado.

Um bom stock picker está sempre monitorando oportunidades.

Isso não significa ter alto giro de carteira.

Na maioria das vezes, inclusive, a melhor oportunidade pode ser simplesmente aumentar uma posição que você já tem.

Mas acompanhar boas empresas, ciclos e assimetrias que aparecem pelo caminho faz parte do jogo, e tende a contribuir com a melhora do nosso processo de seleção de ações.

Então, sem enrolação, vamos ao radar desta semana.

As gigantes de papel e celulose

Começo destacando duas gigantes nacionais com porte global: Klabin (KLBN11) e Suzano (SUZB3).

Para mim, essas são duas das opções mais óbvias para estudo no momento.

Ambas seguem nas mínimas dos últimos meses, ainda pressionadas por um ciclo ruim de celulose e por um mercado menos animado com empresas que vêm de ciclos pesados de investimento.


O que eu gosto no setor

Gosto da perspectiva de longo prazo para papel e celulose.

Segundo estimativas de mercado, o setor deve seguir crescendo de forma moderada até 2035, com CAGR próximo de 1,7% a 3,8% ao ano, saindo de algo em torno de US$ 350-390 bilhões em 2025 para algo entre US$ 420-550 bilhões em 2035.

Os principais vetores são:

  • crescimento de embalagens, containerboard e cartão;

  • aumento da demanda por tissue e produtos de higiene;

  • substituição gradual de plástico por embalagens de papel;

  • avanço do e-commerce;

  • demanda crescente por celulose de fibra curta, especialmente na Ásia.

Por outro lado, o papel gráfico e de impressão segue em declínio estrutural, como consequência direta da digitalização.

Para o Brasil, o cenário é interessante.

Nosso país tem uma vantagem competitiva clara em custo de produção, especialmente por conta das florestas de eucalipto de alto rendimento.

Além disso, o setor ainda passa por um ciclo robusto de investimentos, estimado em algo próximo de R$ 90-105 bilhões até 2028.

Assim, o Brasil deve continuar ganhando relevância nas exportações de celulose e reforçando sua posição como um dos principais produtores globais.

Suzano

A Suzano se destaca principalmente pelo baixíssimo custo de produção.

A escala da companhia, que está entre as maiores produtoras globais de celulose, favorece ganhos de eficiência, competitividade e diluição de custos.

Além disso, a empresa se beneficia da alta produtividade florestal no Brasil, especialmente no cultivo de eucalipto, com ciclos curtos de crescimento e elevada eficiência operacional.

A companhia também conta com uma estrutura logística consolidada para exportação, presença em diversos mercados internacionais e investimentos contínuos em tecnologia e melhoramento genético florestal.

Tudo isso reforça sua produtividade ao longo do tempo.

O ponto “negativo” é que a Suzano é naturalmente mais exposta ao ciclo da celulose.

Quando o preço da celulose está ruim, o mercado costuma bater forte no papel.

Klabin

A Klabin se destaca pela altíssima produtividade florestal e pela maior diversificação de receitas.

Hoje, menos de 30% da receita vem de celulose. A maior parte está ligada a papéis, embalagens e containerboard.

Isso torna o resultado da Klabin menos sensível ao ciclo da celulose do que o da Suzano.

Não significa que a empresa fique imune ao ciclo. Longe disso.

Mas a composição de receitas ajuda a suavizar parte da volatilidade.


O que estou observando agora

As duas empresas vêm de ciclos longos e intensos de investimento.

Agora, o ponto é observar quanto caixa elas conseguem gerar depois desse período mais pesado de CAPEX.

Klabin

A Klabin concluiu um grande ciclo de investimentos, especialmente com o Puma II, e entrou em uma fase de CAPEX mais “leve”.

O Projeto Puma II é o maior investimento da história da Klabin, com um aporte de quase R$ 13 bilhões em um complexo industrial em Ortigueira, no Paraná.

Focado na produção de papéis para embalagens e papel cartão, o projeto adiciona mais de 900 mil toneladas à capacidade anual da empresa.

MP28, uma das máquinas de papel mais modernas do mundo, implantada durante o Projeto Puma II.

Os guidances recentes indicam algo próximo de:

  • R$ 2,9 bilhões em 2025;

  • R$ 3,3 bilhões em 2026;

  • queda para algo entre R$ 2,5 bilhões e R$ 2,8 bilhões em 2027/2028.

Esse CAPEX passa a ser mais voltado para manutenção e modernização, como no caso de Monte Alegre.

Com isso, a tese fica mais simples: maior geração de caixa livre, desalavancagem e eventual melhora na remuneração ao acionista.

A dívida líquida/EBITDA está próxima de 3,3x, ainda elevada, mas em trajetória de redução.

No momento, vejo a Klabin em uma fase mais favorável do ciclo: CAPEX menor, geração de caixa melhorando e foco em desalavancagem.

Suzano

A Suzano também está em fase de transição.

O Projeto Cerrado, maior fábrica de celulose do mundo, já foi concluído e está em ramp-up.

O Projeto Cerrado é a maior linha única de produção de celulose do mundo, localizada em Ribas do Rio Pardo, Mato Grosso do Sul. A megafábrica da Suzano demandou R$ 22,2 bilhões em investimentos, tem capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose ao ano e iniciou suas operações em 2024.

Projeto Cerrado

O ponto é que a empresa ainda carrega um CAPEX mais relevante, proporcionalmente falando, do que a Klabin.

Os guidances recentes indicam algo próximo de:

  • R$ 13,3 bilhões em 2025;

  • R$ 10,9 bilhões em 2026.

Ou seja, uma queda relevante, mas ainda partindo de uma base alta.

A Suzano tem escala muito maior e exposição mais direta à celulose. Isso pode ser ótimo em um ciclo positivo, mas também pesa mais quando o ciclo está ruim.

A companhia tem falado em desalavancagem, disciplina de capital e recompra de ações. O fluxo de caixa livre deve melhorar de forma mais clara a partir de 2026.


Entre as duas…

Na minha visão, a Klabin está em um momento cíclico mais confortável.

O CAPEX já está mais baixo, a geração de caixa tende a aparecer com mais força e o resultado é menos dependente da celulose pura.

A Suzano, por outro lado, tem escala maior, custo muito competitivo e uma alavancagem operacional mais forte para capturar uma eventual recuperação da celulose.

Em termos simples:

  • Klabin: mais diversificada, menos volátil e em melhor fase de geração de caixa;

  • Suzano: maior escala, menor custo e mais exposta à recuperação da celulose.

Ambas parecem estar priorizando desalavancagem e retorno ao acionista depois de ciclos pesados de investimento.


Em que faixa de preço me interessam

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