Top 3 "fake small caps" da bolsa brasileira
Líderes de mercado negociando como se fossem empresas pequenas
Hoje eu quero te provar que tamanho não é documento (nem mesmo entre empresas listadas na bolsa).
Pra começar, uma provocação:
Você sabia que a maior fabricante de rodas do mundo está listada na bolsa brasileira e vale apenas US$ 300 milhões?
Esse é só um exemplo das chamadas “fake small caps”.
Empresas grandes em atuação, dominantes em seus mercados, mas pequenas em capitalização.
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Esse tipo de empresa costuma carregar duas vantagens importantes em relação às small caps “convencionais”:
robustez para atravessar turbulências, fruto de décadas de operação e histórico de mercado;
ativos mal precificados, muitas vezes ignorados pelo investidor médio.
De tempos em tempos, o mercado enxerga algumas nuvens negras no horizonte delas e prefere se afastar, com medo de se molhar.
Como o Brasil ainda é um mercado pequeno em número de empresas listadas, especialmente quando comparado a mercados como o americano, distorções desse tipo acabam sendo mais comuns.
O investidor atento pode usar isso a seu favor e comprar bons ativos a preços muito baixos.
O investidor desatento, por outro lado, pode achar que encontrou uma barganha quando, na verdade, está caindo numa armadilha de valor.
Aquela situação clássica em que o ativo parece barato, é barato, mas continua barato por um bom motivo.
Assim, hoje quero compartilhar três fake small caps que, na minha visão, valem o estudo.
E já adianto: a número 1 dessa lista é a minha favorita e hoje ocupa um percentual relevante da minha carteira pessoal de ações.
#3 Iochpe-Maxion (MYPK3)
Fundada em 1918, a Iochpe-Maxion é uma companhia global, líder mundial na produção de rodas automotivas e um dos principais fabricantes de componentes estruturais automotivos nas Américas.
A empresa possui 33 unidades fabris em 14 países e cerca de 17 mil funcionários.
Imagem: RI Iochpe-Maxion
A companhia se destaca pelo elevado nível técnico e pelo desenvolvimento constante de novos produtos e tecnologias nos segmentos em que atua.
Entre seus clientes estão praticamente todas as grandes montadoras de veículos leves, comerciais e pesados do mundo.
Imagem: RI Iochpe-Maxion
Listada em bolsa desde 1980, suas ações são negociadas sob o ticker MYPK3.
Hoje, a Iochpe-Maxion vale cerca de R$ 1,6 bilhão, algo próximo de US$ 300 milhões.
A conversão para dólar é proposital.
Para o investidor estrangeiro, US$ 300 milhões não é nada. É dinheiro trocado.
Desde 2021, o faturamento anual da companhia supera os R$ 15 bilhões, o que implica em um PSR próximo de 0,1, um dos menores da bolsa brasileira.
Imagem: Apolo
O Price to Sales Ratio (PSR) relaciona o valor de mercado da empresa com sua receita líquida.
De forma simples, ele mostra quanto o mercado está disposto a pagar por cada real de receita.
Um PSR de 0,1 significa que, para cada R$ 1,00 de receita, o mercado atribui apenas R$ 0,10 de valor à empresa.
Além disso, nos preços atuais, a companhia negocia a cerca de 40% do seu patrimônio líquido, um dos menores patamares dos últimos 15 anos.
Imagem: Apolo
Na minha leitura, o mercado não compra a tese da Iochpe basicamente por dois motivos:
margens e rentabilidade historicamente muito baixas;
ausência de crescimento relevante.
Mesmo assim, é difícil ignorar o fato de que, para uma líder global, o valor de mercado atual é bastante baixo.
#2 Randoncorp (RAPT4)
A segunda empresa da lista é a Randoncorp.
Você provavelmente já viu essa marca estampada na traseira de algum caminhão por aí:
Com 77 anos de história, a empresa construiu uma presença global bastante relevante.
Imagem: RI Randoncorp
A companhia detém uma fatia expressiva de mercado nos segmentos de reboques e semirreboques, controla empresas no setor de autopeças e ainda possui uma instituição própria de serviços financeiros.
Imagem: RI Randoncorp
A receita da empresa superou os R$ 13 bilhões nos últimos 12 meses, mesmo com o agro passando por um momento mais fraco, setor que costuma impulsionar naturalmente a demanda por reboques e semirreboques.
Imagem: Apolo
Como holding, o que mais chama atenção na Randoncorp é sua baixa capitalização de mercado quando analisada pela lógica de soma das partes.
Não vou entrar em detalhes, mas vale destacar que uma de suas principais controladas é a Frasle, negociada sob o ticker FRAS3.
Hoje, a Frasle vale cerca de R$ 6,8 bilhões em bolsa.
A Randoncorp detém aproximadamente 50% da companhia, o que representa algo próximo de R$ 3,4 bilhões em valor de mercado.
Ainda assim, a capitalização da holding é de apenas R$ 2,2 bilhões, algo em torno de US$ 400 milhões.
Ou seja, descontando apenas a participação na Frasle, o valor implícito do restante do grupo fica negativo. E ainda existem diversas subsidiárias não listadas.
O problema é que a Randoncorp carrega um histórico longo de destruição de valor, com ROIC pressionado ao longo dos anos.
Imagem: Apolo
No longo prazo, cotação segue ROIC.
Portanto, uma reprecificação mais consistente do ativo depende de uma melhora clara na rentabilidade sobre o capital investido.
Imagem: Apolo
#1 A maior distorção entre preço e valor da bolsa?












