Quem acompanhou esta newsletter nos últimos meses provavelmente já se deparou com alguns textos em que menciono empresas do grupo Simpar.
A Vamos ($VAMO3) é uma delas, com foco no segmento de locação de caminhões, máquinas e outros equipamentos.
O mercado de locação de caminhões ainda é bastante incipiente no Brasil, com uma penetração muito baixa, próxima de 1,3% da frota nacional. Ainda assim, dentro desse universo, a Vamos concentra algo próximo de 78% de market share.
Do ponto de vista do cliente, a locação dos veículos para operações logísticas representa uma alternativa para diluir desembolsos ao longo do tempo, em vez de imobilizar capital na compra direta dos ativos.
O modelo de negócios da companhia pode ser resumido da seguinte forma: a Vamos adquire ativos junto às montadoras, aloca esses veículos e equipamentos em contratos de médio e longo prazo e, ao fim do ciclo, realiza a desmobilização da frota por meio da venda dos seminovos.
Destaca-se aqui a TIR nominal de referência divulgada pela companhia, próxima de 22% ao ano, bastante alinhada ao que vem sendo realizado recentemente, com yield mensal bruto de aproximadamente 2,5% sobre o custo de aquisição do ativo.
A Vamos também se beneficia da elevada idade média da frota nacional, o que torna a locação uma alternativa financeiramente e economicamente atraente para muitos clientes para renovação da frota.
Sua base de clientes está distribuída entre diversos setores da economia, o que confere certa resiliência natural ao negócio por conta da diversificação da carteira.
Por outro lado, trata-se de um negócio intensivo em capital, alavancado e bastante sensível tanto ao ritmo da atividade econômica quanto ao patamar da taxa básica de juros.
A companhia, que realizou seu IPO em 2021, ainda é relativamente jovem como empresa listada e acumula, desde então, uma desvalorização superior a 50% em suas ações.
Por ainda estar relativamente fora dos holofotes do mercado, a cobertura sobre o papel segue limitada.
Ainda assim, em um eventual ciclo de afrouxamento monetário, a companhia tende a se beneficiar. Não necessariamente por uma desalavancagem estrutural, já que esse não é o traço central do modelo de negócios, mas pelo impacto que juros menores podem ter sobre a taxa de desconto, sobre a demanda e sobre a percepção de valor do mercado.
É justamente nesse contexto que a Vamos é o objeto de estudo desta edição.
Já publiquei outros textos sobre a companhia anteriormente. Você pode consultá-los neste link. Esta edição, portanto, funciona como uma revisita à faixa de valor justo da empresa.
Estudo de valor intrínseco
Dividi o estudo em quatro grandes etapas:
Evolução do imobilizado
Receita e resultado operacional
Fluxo de caixa
Valor intrínseco





