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3Tentos (TTEN3) | O pânico é maior que o fato?

Minha decisão pessoal sobre o que fazer com as ações da TTEN3

jul 31, 2026
∙ Pago

Há 1 semana, publiquei por aqui uma atualização da minha visão para as ações da 3Tentos (TTEN3) (clique aqui se quiser relembrar).

No começo dessa semana, na terça-feira, 28/07, TTEN3 caiu 16% em um único pregão.

No dia seguinte, mais 3,5%.

Em dois pregões, a ação saiu da casa de R$ 15 para R$ 12, acumulando queda superior a 20%, com volume muito acima da média.

TradingView chart
Created with TradingView

Diante disso, esta edição busca documentar a minha leitura para a situação, incluindo um teste que rodei especificamente para checar se a queda é uma armadilha ou uma oportunidade.


O que você verá nesta edição

  1. O que aconteceu de fato

  2. Bandeira amarela ou vermelha?

  3. O stress test: armadilha ou oportunidade?

  4. Minha decisão pessoal sobre o que fazer com as ações da TTEN3

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O que aconteceu de fato

No dia 28/07, a equipe de Relações com Investidores da 3tentos se reuniu com analistas sell-side (profissionais do mercado financeiro que trabalham em instituições como bancos, corretoras ou casas de análise), reunião que a própria empresa, em fato relevante do dia seguinte, descreveu como rotineira e dentro das práticas de mercado.

Ainda assim, relatórios do BTG e do Citi saíram no mesmo dia (ou no seguinte) com números específicos de margem da companhia no 2T26, algo que a companhia nega ter fornecido, atribuindo as estimativas exclusivamente à “modelagem, premissas e assunções próprias de analistas independentes”.

A CVM questionou o episódio. Não há prova de vazamento de informação privilegiada, mas há sim uma assimetria evidente entre quem estava na sala e quem não estava, e uma declaração da empresa que não explica totalmente a conta de onde vieram os números dos relatórios divulgados.

O conteúdo desses relatórios:

  • Uma margem de esmagamento de soja mais fraca no 2T26, com estimativas que variam por fonte (entre R$ 370-500 por tonelada, ante um patamar mais forte no 1T26)

  • Margem bruta do segmento Indústria projetada pelo BTG em 14,6%, queda de ~24% na comparação trimestral.

Mesmo assim, o BTG manteve recomendação de compra e preço-alvo em R$ 26.

Citi cortou o preço-alvo de R$ 20 para R$ 17, também mantendo compra.

O resultado oficial do 2T26 só sai em 13 de agosto e tudo o que temos até aqui são prévias de terceiros, não o número oficial da empresa.


Bandeira amarela ou vermelha?

Sobre a governança, quero (tentar) ser o mais preciso possível no que estou dizendo.

Reuniões fechadas entre companhias abertas e analistas sell-side são comuns no mercado brasileiro, embora a prática seja questionável. Portanto, o caso da 3Tentos não é uma exceção.

Classificar o episódio como uma “quebra gravíssima de confiança” exclusiva da empresa seria equivalente a adotar um critério que não costuma ser aplicado às diversas companhias que fazem o mesmo, mas de forma menos explícita e sem tanta repercussão.

É lógico que esse racional não anula o problema.

É um episódio que expõe uma fragilidade real na comunicação da empresa com o mercado, que idealmente não deveria se repetir, e que só se resolverá com tempo.

Por isso trato como uma bandeira amarela.


O stress test: armadilha ou oportunidade?

Antes de analisar o caso, vale explicar brevemente como meu modelo orienta os meus aportes.

Ele considera três critérios:

  1. A cotação atual deve estar abaixo do preço-teto, calculado a partir do valor justo descontado por uma margem de segurança compatível com o risco e a qualidade da empresa.

  2. A posição atual deve estar abaixo da alocação percentual máxima definida para aquela ação, seja ela da carteira ou da watchlist.

  3. A nota individual de risco e qualidade da empresa deve estar acima da média da carteira.

Entre as ações que atendem simultaneamente a esses três critérios, o modelo seleciona aquela com maior desconto percentual em relação ao preço-teto.

A partir dessa indicação quantitativa, entra minha análise subjetiva para avaliar se o aporte realmente faz sentido.

É isso que farei a seguir neste caso.

Quer entender como funciona meu modelo e se inspirar para construir o seu?

Explicarei detalhadamente como o construí em uma aula especial na Oficina de Finanças Corporativas Aplicada ao Investimento em Ações.

Tenho interesse

Seguindo, antes de decidir o que fazer diante da queda nas ações, rodei um teste específico:

Mantendo-se todas as premissas do meu modelo de valuation recentemente compartilhado (acesse aqui), variei apenas a margem bruta do segmento Indústria, sustentada nos cinco anos projetados, não em um trimestre isolado, para ver em que ponto a margem de segurança desaparece.

O resultado:

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