3Tentos (TTEN3) | O pânico é maior que o fato?
Minha decisão pessoal sobre o que fazer com as ações da TTEN3
Há 1 semana, publiquei por aqui uma atualização da minha visão para as ações da 3Tentos (TTEN3) (clique aqui se quiser relembrar).
No começo dessa semana, na terça-feira, 28/07, TTEN3 caiu 16% em um único pregão.
No dia seguinte, mais 3,5%.
Em dois pregões, a ação saiu da casa de R$ 15 para R$ 12, acumulando queda superior a 20%, com volume muito acima da média.

Diante disso, esta edição busca documentar a minha leitura para a situação, incluindo um teste que rodei especificamente para checar se a queda é uma armadilha ou uma oportunidade.
O que você verá nesta edição
O que aconteceu de fato
Bandeira amarela ou vermelha?
O stress test: armadilha ou oportunidade?
Minha decisão pessoal sobre o que fazer com as ações da TTEN3
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O que aconteceu de fato
No dia 28/07, a equipe de Relações com Investidores da 3tentos se reuniu com analistas sell-side (profissionais do mercado financeiro que trabalham em instituições como bancos, corretoras ou casas de análise), reunião que a própria empresa, em fato relevante do dia seguinte, descreveu como rotineira e dentro das práticas de mercado.
Ainda assim, relatórios do BTG e do Citi saíram no mesmo dia (ou no seguinte) com números específicos de margem da companhia no 2T26, algo que a companhia nega ter fornecido, atribuindo as estimativas exclusivamente à “modelagem, premissas e assunções próprias de analistas independentes”.
A CVM questionou o episódio. Não há prova de vazamento de informação privilegiada, mas há sim uma assimetria evidente entre quem estava na sala e quem não estava, e uma declaração da empresa que não explica totalmente a conta de onde vieram os números dos relatórios divulgados.
O conteúdo desses relatórios:
Uma margem de esmagamento de soja mais fraca no 2T26, com estimativas que variam por fonte (entre R$ 370-500 por tonelada, ante um patamar mais forte no 1T26)
Margem bruta do segmento Indústria projetada pelo BTG em 14,6%, queda de ~24% na comparação trimestral.
Mesmo assim, o BTG manteve recomendação de compra e preço-alvo em R$ 26.
Citi cortou o preço-alvo de R$ 20 para R$ 17, também mantendo compra.
O resultado oficial do 2T26 só sai em 13 de agosto e tudo o que temos até aqui são prévias de terceiros, não o número oficial da empresa.
Bandeira amarela ou vermelha?
Sobre a governança, quero (tentar) ser o mais preciso possível no que estou dizendo.
Reuniões fechadas entre companhias abertas e analistas sell-side são comuns no mercado brasileiro, embora a prática seja questionável. Portanto, o caso da 3Tentos não é uma exceção.
Classificar o episódio como uma “quebra gravíssima de confiança” exclusiva da empresa seria equivalente a adotar um critério que não costuma ser aplicado às diversas companhias que fazem o mesmo, mas de forma menos explícita e sem tanta repercussão.
É lógico que esse racional não anula o problema.
É um episódio que expõe uma fragilidade real na comunicação da empresa com o mercado, que idealmente não deveria se repetir, e que só se resolverá com tempo.
Por isso trato como uma bandeira amarela.
O stress test: armadilha ou oportunidade?
Antes de analisar o caso, vale explicar brevemente como meu modelo orienta os meus aportes.
Ele considera três critérios:
A cotação atual deve estar abaixo do preço-teto, calculado a partir do valor justo descontado por uma margem de segurança compatível com o risco e a qualidade da empresa.
A posição atual deve estar abaixo da alocação percentual máxima definida para aquela ação, seja ela da carteira ou da watchlist.
A nota individual de risco e qualidade da empresa deve estar acima da média da carteira.
Entre as ações que atendem simultaneamente a esses três critérios, o modelo seleciona aquela com maior desconto percentual em relação ao preço-teto.
A partir dessa indicação quantitativa, entra minha análise subjetiva para avaliar se o aporte realmente faz sentido.
É isso que farei a seguir neste caso.
Quer entender como funciona meu modelo e se inspirar para construir o seu?
Explicarei detalhadamente como o construí em uma aula especial na Oficina de Finanças Corporativas Aplicada ao Investimento em Ações.
Seguindo, antes de decidir o que fazer diante da queda nas ações, rodei um teste específico:
Mantendo-se todas as premissas do meu modelo de valuation recentemente compartilhado (acesse aqui), variei apenas a margem bruta do segmento Indústria, sustentada nos cinco anos projetados, não em um trimestre isolado, para ver em que ponto a margem de segurança desaparece.
O resultado:
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