Antirruído: é hora de investir em petroleiras?
Estreito de Ormuz, Brent e o risco de agir de forma reativa
Iniciando por aqui mais uma edição do Antirruído, curta e direta ao ponto.
Com a escalada do conflito no Oriente Médio,é a hora de ter investimentos em petroleiras?
Se você não esteve isolado do mundo nos últimos dias, provavelmente já viu que o conflito EUA + Israel x Irã ganhou um novo patamar neste fim de semana.
Há relatos de que a navegação pelo o Estreito de Ormuz ficou paralisada ou severamente restringida, com petroleiros e navios ancorando dos dois lados e empresas suspendendo rotas por incerteza e risco.
O Estreito de Ormuz é um gargalo por onde passa algo como 20% do petróleo global (além de volumes relevantes de gás).
E a maior parte desse fluxo vai para a Ásia (China entre os principais destinos).
Com esse tipo de interrupção, é natural esperar alta no preço do petróleo.
No momento em que escrevo (02/03, às ~6h), o Brent sobe forte e está na faixa de US$ 79 (+8% no dia, dependendo da referência).
O Brent já acumula quase +30% em 2026.
Imagem: Preço de Commodities na manhã do dia 02/03/2026, via TradingEconomics
Como se posicionar
O preço do petróleo reage a qualquer expectativa de mudança de oferta e demanda.
Tentar adivinhar trajetória, em geral, dá mais ansiedade do que resultado, ainda mais em guerra, em que uma mudança de narrativa muda o preço na hora.
Dito isso, assumindo que essa alta inicial é uma reação “esperada”, o que poderia sustentar o Brent nessa faixa (ou até empurrar para US$ 90–100, como vem sendo comentado por alguns “especialistas”)?
O racional mais comum é:
frete e seguro sobem e parte do fluxo simplesmente não passa (mesmo que exista produção, ela pode não “chegar” com a mesma normalidade);
a interrupção persiste tempo suficiente para o mercado reprecificar o risco.
Entretanto, tem uma força no sentido contrário da sustentação da alta:
há excesso de oferta no cenário global;
e a OPEP+ pode reagir elevando produção, o que tende a pressionar o preço para baixo se a logística voltar a normalizar.
Então, como comecei dizendo: tentar cravar direção e desfecho aqui é muito difícil.
A não ser que você seja um amante das bets, eu não gastaria energia com isso.
Exposição a petróleo: reativa ou estrutural?
Particularmente, eu acho saudável manter alguma exposição a óleo e gás na carteira, mas não de forma reativa.
Ou seja: não é porque estourou conflito que “agora chegou a hora” de comprar uma petroleira. Se o conflito arrefecer, você vende? Isso vira um ciclo de compra e venda reativo, um péssimo comportamento para sua carteira no longo prazo.
Na minha carteira pessoal, carrego hoje uma posição em petróleo e gás de ~11,2%. Clique para saber mais.
Curiosidade: a Berkshire Hathaway, do Buffett, mantém desde 2020 uma posição relevante na Chevron (CVX), uma das maiores petroleiras dos EUA. Além disso, a Occidental (OXY) também ganhou espaço entre as maiores posições da carteira. Na última carteira divulgada (dez/25), Chevron e OXY somavam algo perto de 11% do portfólio.
Imagem: Histórico das 20 maiores posições de Buffet desde 2020
Opinião dos gringos x locais
Tenho visto researchs independentes lá fora comentando o conflito, e uma coisa tem sido opinião comum: a visão de que Brasil e América Latina ainda parecem baratos para quem está olhando “de fora”, inclusive por estarem fora do epicentro do conflito.
O que me deixa encucado é o contraste de fluxo: enquanto o estrangeiro segue colocando dinheiro, o investidor pessoa física local segue retirando:
Fluxo Estrangeiro:
Fluxo Local Investidor Individual
E aqui entra meu pedido:
Precisamos levar mais a “palavra” do LabInvest para esse investidor que vende na primeira pernada de alta (o famoso “mão de alface”).
Me ajudem compartilhando esta e as outras publicações.
Por hoje é só.
Forte abraço e até a próxima!
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